sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Gastronomia do Mundo - Nápoles

Gastronomia do Mundo - Nápoles

Hoje o artigo é dedicado à série "Gastronomia do Mundo", onde falo dos pratos típicos dos locais que vou visitando.

Como já disse anteriormente a gastronomia italiana possui inúmeros pratos típicos, que vão variando consoante a região em que nos encontramos, isto devido às diferenças climáticas, territoriais e históricas.
Em particular, a gastronomia napolitana é conhecida pela sua diversidade, muito em parte devido às várias invasões sofridas pela cidade, ao longo dos anos e que foram deixando o seu cunho na cultura e tradições do povo de Nápoles.
Um dos pratos mais conhecidos na cidade, é uma comida de rua, chamada Frittatina, que mais não é do que um bolinho frito de macarrão misturado com presunto, ervilhas, queijo e molho branco.

Foto - La mamma cuoco

Para fazer este belíssimo petisco, comece por preparar o molho branco, colocando a manteiga ao lume até derreter. Retire do lume e junte a farinha, misturando até formar um roux. Adicione gradualmente o leite, previamente aquecido, e bata vigorosamente, de maneira a não ficar com grumos.  Coloque ao lume, até à primeira fervura e tempere com noz-moscada, sal e pimenta. Reserve.
Depois do molho feito, coloque farinha peneirada num recipiente e adicione água, lentamente e bata com a batedeira para evitar grumos. Tempere com sal e pimenta e reserve.
Chegou a vez de cozinhar as ervilhas, para tal coloque um pouco de azeite numa frigideira, adicione cebolas às rodelas muito finas e deixe alourar. Junte as ervilhas e deixe cozinhar. Tempere com sal e pimenta e deixe arrefecer.
Coza a massa que tenha optado para fazer o prato e deixe esfriar. Corte o presunto e o queijo em cubos e junte numa tigela com a massa e o molho branco. Misture tudo muito bem e despeje num tabuleiro, tudo muito bem compactado. Cubra com fillme plástico e armazene no frio cerca de 3 horas.
Faça pequenos bolos com a mistura obtida e passe no preparado da farinha. Frite em óleo bem quente até ficar dourado.
Para ver a receita completa visite o site La Mamma Cuoco.

Este é o petisco ideal para uma tarde de verão junto com os amigos, acompanhado de uma bela cerveja.

Este blog tem parceria com o Booking. Se pretende fazer a sua reserva para ficar alojado em Nápoles, contrate o serviço aqui e estará a ajudar o nosso blog, já que o nosso trabalho é voluntário.

Leia o outro artigo de Nápoles cá no blog.







segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Descobrir Chaves

Descobrir Chaves

Hoje é dia de descobrir a bonita cidade de Chaves, localizada junto ao Rio Tâmega. Esta é uma cidade relativamente pequena, que em tempos foi povoada por diversos povos, tendo sido baptizada pelos romanos como Aquae Flaviae. Chaves foi um importante centro para este povo, aquando da ocupação da Península Ibérica, tendo estes construído muralhas, a famosa Ponte de Trajano, balneários termais, entre outros.

Pela sua história, Chaves apresenta inúmeros pontos de interesse, principalmente, no seu pitoresco centro histórico, composto por belas ruas pedonais e praças medievais, onde é possível encontrar várias lojas de comércio tradicional e inúmeras casas rústicas e cheias de cores.

Aconselho a começar a sua visita pelo Castelo, Torre de Menagem e Jardim, localizado num dos pontos mais altos da cidade. A fortificação primitiva de Chaves julga-se anterior à ocupação romana da Península Ibérica, tendo sido remodelada, no séc. VIII, pelos muçulmanos após a sua conquista. Ao longo dos séculos foi mudando de mãos de acordo com as conquistas da região. Durante o séc. XIII foi reconstruída por ordem de D. Afonso III e as obras foram-se estendendo pelo reinado seguinte.
A Torre de Menagem, declarada Monumento Nacional em 1938, é uma simples torre granítica, edificada junto à muralha da vila medieval, e de onde se consegue uma vista panorâmica sobre o centro histórico da cidade, o Jardim do Castelo e o Rio Tâmega. 

Torre de Menagem
Aqui poderá ainda visitar o Museu Militar, instalado na Torre desde 1978, ocupando os quatro pisos interiores e cujo espólio é composto por armas, uniformes, plantas militares, entre outros.
No exterior, foi plantado um belo Jardim, onde estão expostas algumas das peças do Museu da Região Flaviense.

Jardins do Castelo

Bem próximo, encontra-se a praça nobre da cidade, a Praça de Camões, onde estão localizados alguns dos mais importantes edifícios da cidade, nomeadamente a Câmara Municipal. Esta localiza-se no mais belo palacete de Chaves, que data da primeira metade do séc. XIX, tendo sido construído para ser a residência do Morgado de Vilar de Perdizes. A casa foi colocada à venda antes de ter ficado concluída e foi o município de Chaves, que em 1861 a comprou.

Na mesma praça está localizado o Museu da Região Flaviense, sediado no Paço dos Duques de Bragança, um belo Palácio do séc. XV. Construído a mando de D.Afonso, primeiro Duque de Bragança e oitavo Conde Barcelos, para ser residência pessoal, é composto por dois andares, num estilo sóbrio. O Museu alberga uma grande variedade de vestígios arqueológicos com um elevado valor histórico e científico, da Idade do Bronze, Idade do Ferro e da época Romana, além de colecções de numismática, utensílios, trajes rurais e pinturas de Nadir Afonso, filho da terra.
Nas instalações do Palácio está sediada ainda a Biblioteca Municipal.

Câmara Municipal de Chaves

Contígua à Praça de Camões temos a Praça Caetano Ferreira onde é possível ver a maravilhosa Igreja da Misericórdia, uma bonita igreja barroca, da segunda metade do séc. XVII. Possui uma bela fachada granítica e o seu interior, de uma só nave, é decorado por paredes inteiras de azulejo decorado com várias cenas bíblicas, do séc. XVIII, da autoria de Oliveira Bernardes. Já no seu tecto de madeira, temos pintada a cena da visitação. O altar de talha dourada, está adornado por querubins, cachos e volutes.

Bem do lado da Igreja da Misericórdia está a Igreja Matriz de Santa Maria Maior, um templo de raiz medieval, composta por vários estilos arquitectónicos, românico, maneirista e barroco, que sofreu diversas alterações ao longo dos séculos, tendo a sua inspiração na arquitectura italiana. Não se sabe ao certo qual a data da sua construção, mas acredita-se que a mesma estará sobre as fundações de um templo da época visigótica.

Igreja Matriz de Santa Maria Maior
O seu interior mantêm a estrutura medieval, com três naves, onde se destaca a Capela do Santíssimo, adossada à capela-mor.

Interior da Igreja Matriz

Segue-se a Praça da República, onde pudemos ver o Pelourinho, construído durante o reinado de D. Manuel, por volta de 1515. Possui no seu capitel as armas do reino e o brasão de Chaves, possuindo ainda no topo a esfera armilar.

Outras das magníficas atracções da cidade são Termas Romanas de Aquae Flaviae. Estas estão entre as 5 termas medicinais romanas mais bem preservadas de todo o mundo, tendo sido descobertas sem querer. Acredita-se que estas sejam dos séc. I a IV, sendo compostas por duas piscinas grandes e 5 mais pequenas, para banhos individuais e ainda um pátio de repouso, uma fonte e salas de tratamento. Um verdadeiro luxo da época romana.

Continuamos a caminhada até à beira do Rio Tâmega desta vez para admirar a bonita Ponte Romana de Trajano, uma das maiores atracções de Chaves e o monumento romano mais emblemático da cidade. Este belo exemplar de engenharia, com cerca de 150 metros de comprimento, foi construída no tempo do Imperador Trajano, entre o final do séc. I e o início do séc. II d.C.. A meio da ponte é possível ver dois marcos cilíndricos de carácter honorífico, um como forma de homenagem às gentes flavienses e outro, denominado Padrão dos Povos, aos dez povos indígenas da época.

Este foi o nosso percurso por Chaves mas existem imensas outras coisas que poderá ver e visitar nesta encantadora cidade do norte de Portugal. Qual a vossa experiência na cidade? 

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Descobrir a Catedral de São Nicolau

Descobrir a Catedral de São Nicolau

O artigo de hoje é dedicado à Catedral de São Nicolau, em Friburgo, na Suíça.
A primeira igreja dedicada a São Nicolau está intimamente ligada à fundação da cidade, que terá sido consagrada em 1182 pelo bispo de Lausanne, Roger Vicopisano. Mas a verdade é que pouco se sabe sobre o edifício original.
A actual Catedral de São Nicolau, de estilo gótico, localizada bem no centro da cidade medieval de Friburgo, terá sido iniciada em 1283 e terminada apenas em 1430. É composto por três naves, sem transepto, possuindo dimensões impressionantes, com uma elevação de três andares do coro e da nave. A sua bela torre possui cerca de 74 metros, mas segundo se consta a mesma continua inacabada por falta de verbas.

Vista geral da Catedral

Ao percorrer este belo templo deparamo-nos com vários pontos que saltam à vista e que merecem ser destacados.

Assim que chegamos à Catedral somos atraídos pela beleza do Portão principal, composto por um baixo relevo que representa o juízo final. Na parte superior, é possível ver Cristo mostrando as suas feridas, encimado por um dossel e rodeado, do lado direito, por São João Batista, e vários anjos e do lado esquerdo, pela Virgem Maria e também vários anjos. Na parte inferior encontra-se representada a cena do julgamento, propriamente dita, com várias esculturas.
No séc. XVII foi adicionado um friso, com um texto, a separar a parte superior da inferior.

Pormenor do Portão Principal

O Portão é composto ainda por três arcos adornados com inúmeras estatuetas. O primeiro arco é constituído por 10 anjos, o segundo pelos 12 profetas e patriarcas e o terceiro por 14 figuras femininas.

Portão Principal

Outro elemento de destaque deste belo templo gótico é a Torre. A sua construção começou por volta de 1370 e as duas primeiras etapas ficaram concluídas por volta de 1430, permitindo a elevação dos arcos da nave. Mais tarde, por volta de 1470 os trabalhos foram retomados, ficando a cargo do arquitecto Georges du Gerdil, tendo os mesmos cessado em 1490, segundo se consta, por falta de verba.
Com cerca de 76 metros de altura é possível subir ao topo da torre, através dos seus 368 degraus e obter uma vista de toda a cidade. Uma particularidade deste belo exemplar é o facto de a mesma passar de um plano quadrado, no primeiro e segundo piso, para um plano octogonal, no terceiro e quarto.

Torre da Catedral
Um dos principais destaques no interior da Catedral é a Capela do Santo Sepulcro, também conhecida como Capela de Mossu. Construída entre 1430 e 1457, a mando de Jean Mossu, esta é iluminada por duas janelas com bonitos vitrais, de Alfred Manessier. No altar é possível ver uma estátua de São Lourenço, e desde os meados do séc. XV, a capela abriga também um grupo de estátuas policromáticas, que representam o Enterro de Cristo.
No arco da entrada é possível ver Quatro anjos com instrumentos da Paixão e o segundo arco possui uma pintura que representa Oito anjos com instrumentos musicais.As pinturas da abóbada e dos pilares são posteriores a 1450.

Túmulo da Capela do Santo Sepulcro

A Catedral de São Nicolau possui oito capelas laterais, que terão sido erigidas entre 1515 e 1759. Ao serem construídas foi-se tendo o cuidado de manter as características da arquitectura gótica patente no restante edifício. A primeira capela a ser construída, foi onde actualmente se encontra o altar do Sagrado Coração, em 1515, sob a alçada de Peter Falk, a segunda terá sido por volta de 1663 e é dedicada à Virgem Maria. Enquanto que as restantes apenas terão sido construídas em meados do séc. XVIII.

Nave lateral esquerda

Os altares laterais foram colocados nas capelas laterais:
 - Altar da Virgem e da Natividade (topo do corredor do lado esquerdo) - da autoria de Johann-Jakob e Franz Joseph Moosbrugger, onde é possível ver uma pintura retratando a Adoração dos Pastores e a Aparição da Trindade a São Francisco de Paulo, obra de Joseph Sauter.
 - Altar de São João Evangelista e Santa Bárbara (primeira capela) - dos irmãos Moosbrugger, aqui é possível encontrar uma Mesa retratando o Santo na companhia do evangelista e ainda uma cartela de São Mateus retratando Santa Margarida de Antioquia, de Joseph Sauter.

Altar da Virgem depois da Natividade
com Altar de São João Evangelista e Santa Bárbara
em segundo plano

- Altar de Santo Estevão (segunda capela) - dos irmãos Moosbrugger onde encontramos na mesa um objecto representando o Santo e na parede uma pintura de São Jerónimo meditando.
- Altar dos Três Reis (terceira capela) - da autoria de Anton Pfister, onde está uma bonita pintura com a Adoração dos Reis Magos, de Paul Deschwanden e, no Ático, o Trigrama de Cristo. O túmulo da família de Diesbach está sob a capela.
- Altar dos Santos André e Cláudio, depois de São Sebastião (quarta capela) - também dos irmão Moosbrugger. É possível encontrar uma pintura retratando São Sebastião com os Santos António, o Eremita e André.
- Altar de São Tiago (no topo do corredor lateral à direita) - dos irmãos Moosbrugger, onde é possível ver duas bonitas pinturas, uma da Santa Ceia e outra do Apedrejamento do Santo Estevão, da autoria de José Sauteur.
- Altar da Agonia de Jesus no Monte das Oliveiras e no Sagrado Coração (primeira capela) - onde se vê uma simples mas bonita pintura do Sagrado Coração de Jesus, de Paul Deschwanden.
- Altar do Santo Sepulcro, em seguida, Nossa Senhora das Victórias ou Nossa Senhora da Divina Proteção (segunda capela) - de Jean-François Doret, sob o patrocínio do Estado. Possui uma bonita tela retratando a Acção de Graças dos Magistrados de Friburgo após a primeira batalha de Villmergen, em 1656, um trabalho de Simon Goser.
Altar Lateral do Santo Sacramento
com Altar do Sagrado Coração em segundo plano

- Altar de São Miguel, em seguida de Santa Ana (terceira capela) - da autoria de Anton Pfister, nele é possível ver duas belas pinturas, uma representando Santa Ana com a Virgem Maria, de Paul Deschwanden e outra de São Jorge matando o Dragão, de Melchior Eggmann.
- Altar de Santo António ou de São Silvestre (quarta capela) - dos irmãos Moosbrugger. Possui também duas telas, uma representando o Batismo de Constantino pelo Papa Sylvester, e outra de São José e o Filho, ambas de Joseph Sauteur.

Pormenor do Tecto

O actual Altar Mor, colocado na Catedral em 1876, de estilo neo-gótico é da Casa Muller Wil e possui, na parte vertical a imagem de Cristo, o tabernáculo e um nicho, abrigando o Santíssimo Sacramento. No eixo horizontal é possível ver a Anunciação e o Casamento da Virgem Maria.

O Altar Principal, em frente aos portões do coro é uma obra de Georges Schneider feita em bronze e cobre. Nas laterais é possível ver representadas cenas relacionadas com o Êxodo: O Povo de Deus andando no deserto, Moisés fazendo a água fluir da rocha, A Montanha do Sinai, A junção do céu e da terra e ainda a cidade de Friburgo, onde originalmente era representada Jerusalém celestial.

Altar Principal

Outro dos destaques da Catedral são os seus vitrais. Terá sido durante o séc. XV, que foram colocados os primeiros, durante a fase final da construção da Catedral. Contudo, ao longo dos séculos os mesmo foram sendo substituídos por outros e os vitrais que pudemos ver actualmente serão já do séc. XIX.
Na década de 1890 foi lançado um concurso para a produção de vitrais originais, que embelezassem a Catedral. De entre 26 projectos a concurso, o mesmo foi vencido por um jovem artista bem talentoso, Josef Mehoffer. Este apresentou um projecto para oito janelas da nave e cinco do coro, cuja realização durou cerca de 41 anos. Na segunda metade do séc. XX,  Alfred Manessier ficou encarregue de produzir os vitrais para a Capela do Santo Sepulcro, as janelas altas da nave e ainda a roseta da torre.

Vitrais de Mehoffer
Quando foi lançado o concurso para a execução dos vitrais, foi tido em atenção as especificidades da arquitectura gótica, que se caracteriza por janelas altas e estreitas. Como tal, decidiu-se que os vitrais dessas janelas iriam representar os patronos dos altares laterais, assim como, algumas cenas conhecidas da vida cristã, como a Adoração aos Reis Magos, o Santíssimo Sacramento, entre outras. Jósef Mehoffer trabalhou ao longo de 40 anos para finalizar o seu magnífico trabalho:
   - Janelas dos Apóstolos (na primeira capela à esquerda) - neste vitral os anjos estão representados em movimento, sob os dosseis góticos: o galo da negação de Pedro e a imagem da Igreja como um barco, a águia de João Evangelista e a visão do Apocalipse, Tiago, o maior e Hermógenes, o mago, com uma representação da cidade de Cracóvia e ainda André e a visão da cruz do seu martírio. Este vitral de Art Nouveau possui vários motivos vegetais e o uso da técnica do cloisonnisme (estilo de pintura pós-impressionista).

    - Janela de Nossa Senhora da Victória (na segunda capela à direita) - este belo vitral representa a vitória na Batalha de Morat, em 1476. Possui uma cena única, que cobre toda a janela, e representa o regresso após a vitória, protegida por São Miguel, onde os confederados seguram em suas mãos as bandeiras dos cantões, que depositam diante da Rainha do Céu, cercada de anjos, numa clara alegoria da pátria. No friso superior estão representadas as três virtudes teológicas da fé, esperança e caridade, bem como a virtude da força.

    - Janela dos Mártires (na segunda capela à esquerda) - vitral representando quatro mártires, durante o seu martírio: São Maurício e a espada, São Sebastião e as flechas, Santa Catarina de Alexandria e a roda e Santa Bárbara e a torre. Na parte inferior do vitral os quatro mártires encontram-se entrelaçados com personagens femininas e na parte superior encontram-se representadas figuras angelicais e corvos, encimados por motivos florais e quatro pares de jovens, que representam a inocência dos mártires.

Vitral dos Mártires

     - Janela da Eucaristia (na primeira capela à direita) - à direita está representado o sacrifício na cruz, de Cristo, levado por dois anjos. À esquerda a adoração da Eucaristia no sacrifício eucarístico, diante de uma jovem que retrata a virtude teológica da fé, e uma procissão de anjos espíritos .Na parte inferior é possível ver um bode preso a um arbusto de espinhos, numa clara alusão ao sacrifício de Isaac.

     - Janela dos Três Reis (na terceira capela à esquerda) - representação da adoração dos Reis Magos, com os Reis, acompanhados por um anjo, a colocarem os seus presentes aos pés de Cristo, junto à Virgem Maria, enquanto José, o burro e o boi se afastam. A estrela de Belém ilumina toda a cena. Na parte inferior está representado o Rei Herodes, acompanhado da Morte, através dos corpos dos Santos Inocentes, senta-se com Santanás e a Serpente.

Vitral dos três Reis

    - Janela de São Jorge, São Miguel, Santa Ana e Santa Maria Madalena (na segunda capela à direita) - aqui está representado São Jorge, como cavaleiro, a matar um dragão; o Arcanjo São Miguel, triunfante, aparece a lutar com Santanás; Ana é encimada pela sua filha, a Virgem Maria, enquanto uma fonte com símbolos cristãos flui a seus pés; Maria Madalena, enlutada, carrega o frasco de perfume, simbolizando o ardor da sua caridade.

    - Janela dos Santos, Bispos e Diáconos (na primeira capela à esquerda) - cada santo segura uma lanceta, enquadrada pelas virtudes teológicas e cardeais, bem como pela ciência. Este é um vitral com influência de Art Noveau como fundo, mas com características realistas, menos estilizadas do que outros vitrais do mesmo autor.

      - Janela de São Nicolau de Flue (na primeira capela à direita) - mistura de Art Nouveau, arte popular e monumental e realismo.

A criação das novas janelas do coro só começou após a conclusão das janelas da nave, ou seja, após a Primeira Guerra Mundial e aqui é possível ver três janelas centrais dedicadas à Santíssima Trindade e ainda umas janelas que representam a história da Igreja e do Estado de Friburgo.

Nave Central

Vitrais de Manessier
Após os vitrais de Mehoffer serem colocados nos respectivos locais, ainda havia três sítios sem vitrais: a Capela do Santo Sepulcro, as janelas superiores da nave e a Rosácea. E foi a Manessier que foi dada a obra, já na segunda metade do séc. XX.
Para o vitral da Capela, Manessier inspira-se no túmulo do final da Idade Média, de maneira a manter a temática da capela, aqui é possível ver a representação de Sexta-feira Santa à noite e  a Manhã de Páscoa. Para as janelas superiores, o artista, escolheu o tema de Pentecostes, já para a Rosácea, escolheu o tema do Magnificat, sendo visível da Capela de São Miguel mas não da nave.

A Catedral abriga também dois órgãos, estando um deles bem em frente à Capela de São Miguel, no primeiro andar da torre. Este terá sido instalado entre 1426 e 1428, sendo substituído em 1636, por um órgão maior e mais tarde, entre 1824 e 1834 foi colocado o órgão que se mantém até aos dias de hoje, de Aloys Mooser. No coro, na parede sul encontra-se um órgão de Sebald Manderscheidt.

Órgão de Aloys Nooser

A Catedral encontra-se ainda adornada por várias pinturas, mais precisamente na nave e no coro. Na nave, junto às janelas altas, é possível ver dezoito retratos dos profetas, enquanto que no tímpano dos arcos temos os retratos dos doze apóstolos e dos quatro Doutores da Igreja Latina.

Existem também duas grandes pinturas, do séc. XVI, que adornam a parede norte do coro e que representam Cristo Ressuscitado, aparecendo a São Pedro e outro mostrando Cristo a vencer a morte, ambos do francês Nicolas Hoey.

Pinturas da nave

Coro foi construído entre os séculos XIII e XIV, tendo sofrido algumas alterações ao longo dos séculos. Entre 1627 e 1630 este sofre uma reconstrução, que esteve a cargo do engenheiro Jean Cotonnet, a mando do Bispo Jean de Watteville. O novo coro apresenta o interior um tanto sombrio e simples, destacando-se a sua abobada reticulada, obra do mestre Peter Winter, nela é possível ver o brasão do Estado de Friburgo, a Virgem Maria, São Nicolau de Myre, Santa Catarina de Alexandria, Santa Bárbara e São Carlos.
Bem por cima do coro é possível ver um Calvário a decorar o arco triunfal, com Cristo na Cruz, a Virgem Maria e São João, existindo por baixo uma viga de carvalho pintada de azul e adornada com a inscrição biblíca Empti estis pretio magno, glorifique e portate Deum in corpore vesto.


Vitrais e Calvário do coro

Uma das mais bonitas peças desta Catedral é a sua Fonte Baptismal, uma obra-prima da escultura gótica de Hermann e Gylian Aetterli, feita entre 1498 e 1499, está localizada junto à capela de Nossa Senhora da Vitória. Nela é possível ver Cristo, um anjo usando uma túnica, São João Baptista, os quatro evangelistas e ainda São Nicolau de Myre.

Pia Baptismal

Existem muitos outros pormenores a descobrir na Catedral de São Nicolau, contudo estes são aqueles que mais se destacam, no meu ponto de vista.
E assim descobrimos mais uma Catedral europeia. Descobrir Catedrais à volta da Europa tem sido um desafio e tanto e é fantástico ver como a arte sacra pode ser tão maravilhosa e tão diferente de cidade para cidade.

Leia os artigos de outras Catedrais por nós visitadas
Descobrir a Catedral de São Paulo
Descobrir a Catedral de Southwark
Descobrir a Catedral de Westminster
Descobrir a Catedral de Barcelona
Descobrir a Sagrada Família

Venha ler o nosso artigo sobre a cidade de Friburgo:

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Gastronomia do Mundo - Bari

Gastronomia do Mundo - Bari

Hoje o artigo é dedicado à série "Gastronomia do Mundo", onde falo dos pratos típicos dos locais que vou visitando.

A gastronomia de Bari, a capital da região de Puglia, gira em torno de três ingredientes que se cultivam na região: o milho, a azeitona e o vinho. Mas de notar que em toda a região é possível encontrar verduras e frutas em grande abundância.
Bari é conhecida por oferecer uma culinária bastante criativa e colorida e sendo uma cidade portuária é conhecida pelos seus pratos de peixe e marisco. Como tal, hoje vamos falar de um prato bastante popular nesta região de Itália, a Ciambotta Pugliese.

A Ciambotta é um prato composto por uma variedade grande de legumes, mas existem várias alterações a este prato consoante a região de Itália em que estivermos. A Ciambotta Pugliese incluí vários tipos de peixe e marisco. Nasceu na casa de pescadores, para utilizarem os ingredientes provenientes do seu trabalho e actualmente existe uma versão mais aprimora, que conta com vários tipos de marisco ( e sendo eu um fã de marisco, claro está que esta é a versão que aqui trago).

Foto - Puglia

Este prato não é mais do que uma belíssima sopa de peixe e marisco guisada, com um sabor fantástico. Para começar deve preparar todo o peixe e marisco, descamando e retirando as vísceras e lavando.
Coloque azeite numa frigideira, pique a cebola e o alho e depois de um minuto deite um pouco de vinho branco seco. Adicione os tomates cortados ao meio, um punhado de salsa picada, pimenta chili e dois copos de água. Tempere com sal e pimenta. Deixe levantar fervura e espere que o caldo reduza para metade.
Introduza o peixe e o marisco, tendo em conta o tempo de cozedura que cada um demora. Quando estiverem todos adicionados aguarde cerca de 20 minutos. Sirva o prato com pão torrado e desfrute.
Para ver a receita original visite o site Puglia.

Tenho a certeza que este prato deixará todos com água na boca e reconfortará o estômago de quem o provar.

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Leia o outro artigo sobre Bari cá no blog.