quarta-feira, 6 de julho de 2016

Descobrir o Mosteiro da Batalha

Descobrir o Mosteiro da Batalha

O Mosteiro da Batalha, também conhecido como Mosteiro de Santa Maria Vitória surgiu da promessa feita por D. João I, em pleno campo de batalha, à Virgem Maria. Este prometeu a edificação de um mosteiro caso saísse vencedor desta batalha histórica, algo que está descrito no testamento redigido por Lopo Afonso, em 1426.

Mosteiro da Batalha

Não existe certeza quanto à data exacta do início das obras do Mosteiro, mas acredita-se que o mesmo ter-se-á iniciado um ano ou dois após a Batalha de Aljubarrota (1385). Terá sido Afonso Domingues, o primeiro arquitecto do projecto, que concebeu a planta geral do complexo monástico, constituído pela igreja com a sacristia, o claustro real com a sala do capítulo, o dormitório, a cozinha e o refeitório. Mais tarde, foi Huguet que continuou as obras e terminou o trabalho iniciado pelo seu antecessor e ainda acrescentou a Capela do Fundador, para servir de panteão a D. João I e as Capelas Imperfeitas, encomendadas por D. Duarte também para servir de panteão. Seguiu-se Fernão Évora que conduziu as obras do claustro de D. Afonso V e outros mestres foram acrescentando valor a este belo monumento.

Porta Principal do Mosteiro

Igreja
A Igreja de Santa Maria da Vitória surge devido ao forte desejo de D. João I expressar e afirmar o seu poder através de um programa monumental, criando o seu próprio panteão.
Esta é uma igreja de planta em cruz latina, composta por três naves, duas laterais de menores dimensões e a nave central, que é uma das maiores de todas as igrejas portuguesas, elevando-se a 3,25 metros de altura. As três conduzem ao transepto e à capela mor, com o seu arco triunfal acairelado e com dois andares e com maravilhosos vitrais, encomendados por D. Manuel I e feitos pelos grandes pintores daquela época, com destaque para Francisco Henriques.

Capela Mor


À entrada encontramos o túmulo raso de Mateus Fernandes e à direita a do Cavaleiro Diogo Gonçalves de Travaços. A igreja é ainda constituída por mais quatro capelas poligonais, a capela de S. Miguel, a capela de Nossa Senhora da Piedade, a capela de Nossa Senhora do Rosário e a antiga capela de Santa Bárbara.
Por volta de 1425, o local sofreu alterações, para ser construída a Capela do Fundador, o primeiro local em Portugal a servir como panteão régio.

Igreja de Santa Maria Vitória

Capela do Fundador
A Capela do Fundador, localizada à direita do Mosteiro, logo a seguir à entrada principal, foi pensada por D. João I para servir de Panteão para toda a sua linhagem, a dinastia de Avis. Foi construída pelo mestre Huguet, em 1426, com uma planta quadrada, possuindo ao centro um octógono que surge como baldaquino glorificador do túmulo conjunto de D. João I e D. Filipa de Lencastre, assente sobre oito leões. Este túmulo foi o primeiro túmulo conjugal em Portugal e foi feito por vontade expressa do Rei D. João I. Sobre a tampa do túmulo encontramos esculpidos os jacentes emparelhados do casal, que surge de mão dada, onde o rei é apresentado com a sua armadura de guerreiro e na mão esquerda a espada e a rainha surge com um manto e com a bíblia na mão.

Pormenor da arca tumular de D. João I e D. Filipa de Lencastre

A ladear o túmulo temos os túmulos dos filhos de D. João I, denominados de "íclita geração", os infantes, cada um com a respectiva mote e escudos, D. Fernando, o Martir de Fez, D. João, Mestre da Ordem de Santiago e a sua esposa D. Isabel de Barcelos, D. Henrique o Navegador, Duque de Viseu e Mestre da Ordem de Cristo e D. Pedro, Duque de Coimbra e sua esposa D. Isabel de Aragão.
E mais tarde foram ainda sepultados o Rei D. Afonso V e a sua esposa D. Isabel de Coimbra, o Rei D. João II, neto e bisneto do Rei D. João I e ainda o príncipe herdeiro D. Afonso, filho de D. João II. 
Sepultado junto à Capela do Fundador, ainda hoje a guardar o Panteão Real, temos a campa de Martim Gonçalves de Maçada, que salvou a vida do rei D. João I, na Batalha de Aljubarrota.

Capela do Fundador

Claustro de D. João I
O Claustro de D. João I, também conhecido como claustro real, foi idealizada e iniciada por Afonso Domingues e concluída após a campanha manuelina, por Mateus Fernandes. A sua construção inicial, composta por 4 galerias é de estilo gótico, mas Mateus Fernandes decorou todo o interior com um fino rendilhado manuelino, vários motivos vegetalinos, cruzes de Cristo e esferas armilares. Aqui é possível ainda encontrar o Coruchéu da Cegonha e uma pequena torre sineira.

Claustro Real
Jardim do Claustro Real

É neste claustro que se encontra o pavilhão do lavatório, onde esta um belo lavatório, de traço manuelino, constituído por várias taças sobrepostas e onde ainda hoje corre água. Este local servia para os frades higienizarem as mãos antes e depois de comer, já que bem próximo se encontrava o refeitório.

Lavatório

Sala do Capítulo
Iniciada por Afonso Domingues e terminada por Huguet, a famosa sala do Capítulo é conhecida quer pela sua magnífica abóbada de estrela, quer pela sua fantástica porta de acesso, com um grande arco ogival, ladeada pelas amplas janelas, quer pelo seu belo vitral, que é o mais bem conservado conjunto de vitrais primitivos que embelezavam as janelas do Mosteiro, este belo exemplar data do séc. XV e é dedicado à Paixão de Cristo.
Depois da igreja esta era a sala de maior relevo na vida diária dos frades dominicanos, pois era o local onde estes se reuniam para escutar e reflectir os diversos capítulos da regra monástica e discutir os assuntos relevantes do seu quotidiano.

Vitral da Sala do Capítulo

É também nesta sala que se encontra o túmulo do soldado desconhecido, onde se encontram os restos mortais de dois soldados desconhecidos, mortos na Grande Guerra. Junto ao lapidário monumental, arde permanentemente a "Chama da Pátria". Este lapidário é uma obra do Mestre Lourenço de Almeida, oferecido pela 5ª Divisão Militar de Coimbra, e é uma peça de arte revivalista que pretende representar os soldados de todos os tempos.

Túmulo do Soldado Desconhecido

Antigo Refeitório
Já pouco resta deste local, apenas um púlpito que está numa das paredes e que servia para um dos frades proceder às leituras sagradas, quando os restantes se encontravam a comer. Actualmente, este espaço é utilizado como Museu de Oferendas ao Soldado Desconhecido e onde estão expostos todos os tributos feitos por outras nações, personalidades e ex-combatentes.

Claustro D. Afonso V
O claustro D. Afonso V é bem mais simples que o claustro real e reflete um ar mais austero. Foi construído durante a segunda metade do séc. XV, tendo sido um dos primeiros claustros em Portugal com dois pisos. Era aqui que se encontravam várias dependências monacais, nomeadamente, a cozinha, a casa de lenha e do azeite, a dispensa, um refeitório pequeno, o lagar do vinho e várias oficinas, todos no primeiro piso. Já no segundo piso era possível encontrar os dormitórios, a enfermaria, a livraria e o cartório.

Jardim do claustro D. Afonso V

Claustro D. Afonso V

Capelas Imperfeitas
As Capelas Imperfeitas terão sido mandadas construir pelo Rei D. Duarte, para servir de panteão privado seu e da sua família. Tem um formato octogonal e apresenta sete pequenas capelas ligadas entre si por aquilo que se julga que seria a sacristia. Cada uma das capelas apresenta as armas e os símbolos daqueles que iria acolher.  Contudo, a morte do rei D. Duarte e no ano seguinte do mestre Huguet, responsável pela construção, inviabilizaram a conclusão deste local.

Capelas Imperfeitas

Aqui é ainda possível ver um deslumbrante e imponente portal manuelino que dá acesso às capelas e que possui cerca de 15 metros de altura, tendo sido construído por Mateus Fernandes, no séc. XV.

Portal Manuelino

Sobre o portal é possível ver uma bonita construção que se destaca, parecendo ser uma varanda, de estilo renascentista, que terá sido feita no reinado de D. João III, na tentativa de concluir a construção deste local. Esta bonita varanda, uma jóia da arquitectura clássica é da autoria de Miguel de Arruda. Apesar de actualmente não possuir muitos túmulos, ainda é possível ver o túmulo de D. Duarte, na capela bem em frente ao portal manuelino.

Varanda Renascentista
Túmulo de D. Duarte e da sua esposa

O Mosteiro de Santa Maria da Vitória é o monumento mais significativo do Gótico em Portugal e é uma das referências do país quer a nível de escultura decorativa quer a nível da sua tumulária. Mas não é só o gótico que está presente neste belo monumento, é também possível encontrar o estilo manuelino, nomeadamente no Claustro Real e nas Capelas Imperfeitas, mas também o estilo renascentista na varanda que se encontra nas Capelas Imperfeitas.

Pormenor do Mosteiro

E assim termina mais um artigo. Espero que tenham gostado e caso ainda não conheçam o Mosteiro da Batalha vos tenha aguçado o apetite para o visitarem.

Caso queiram ver o nosso roteiro pela Vila da Batalha acedam aqui.

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