quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Descobrir Barcelona em 3 dias - 2º dia

Descobrir Barcelona em 3 dias - 2º dia


Hoje continuamos o nosso roteiro por Barcelona dando-lhes a conhecer o nosso percurso neste segundo dia pela cidade. Sabendo que 3 dias é pouco tempo para explorar Barcelona decidimos que durante estes três dias deveriam servir como uma introdução intensa desta bela cidade. 
O segundo dia serviu para conhecermos algumas das atracções mais conhecidas e mais artísticas de Barcelona.

O nosso roteiro
2º dia


Decidimos iniciar o nosso dia pelo Eixample, um dos bairros de Barcelona, conhecido pelo desenho regular das suas ruas, caracterizadas por serem largas e amplas, nomeadamente o Passeig de Gràcia, a Gran Via de les Corts Catalanes ou a Diagonal. A melhor forma de apreciar a arquitectura e a beleza do Eixample é a pé, num maravilhoso passeio pelas encantadoras ruas, que foi o que fizemos.

Ruas de Barcelona

Assim que saímos do metro houve uma casa que nos chamou a atenção pelo seu bonito e diferente telhado, a Casa de Terrades, mais conhecida como Casa de les Punxes (casa das Pontas). Esta é uma obra do arquitecto modernista Josep Puig i Cadafalch, o projecto foi encomendado pelas irmãs Terrades, para reformar três imóveis que ocupavam o local. O mesmo ficou concluído em 1905 e consiste num único prédio, que ocupa o quarteirão inteiro da avenida Diagonal. De inspiração medieval, esta intrigante obra parece um castelo, em parte devido à existência de quatro torres redondas, em cujo topo de observam as "punxes". Já a decoração, de estilo gótico, invoca elementos de outras obras do arquitecto, como a Casa Amatller, a Casa Serra ou a Casa Macaya. Outra das características do edifício são os seus painéis de cerâmica, localizados no alto das suas fachadas, sendo o mais conhecido aquele que representa São Jorge, no qual aparece a frase "Sant Patró de Catalunya, torneu-nos la llibertat" ( santo padroeiro da Catalunha, nos devolva a liberdade).

Casa de les Punxes
Bem perto da Casa de les Punxes é possível encontrar a Església Mare de Déu del Carme, uma das igrejas mais recentes de Barcelona. Terá sido construída no início do séc. XX, num local chave da Avenida Diagonal. Foi construída neste local para as pessoas que se foram deslocando para fora da cidade antiga e começaram a povoar a zona nova de Barcelona.

Església Mare de Deú del Carmo
Seguimos depois em direcção à famosa Casa Milà, também conhecida como La Pedrera. Esta é uma das mais importantes obras do génio Antoni Gaudí. Este enorme edifício de habitação que ocupa um quarteirão inteiro, é conhecido pelo seu magnífico exterior de pedra de acabamento rude, moldada e arredondada, assemelhando-se a grutas. Este prédio foi encomendado por Pere Milà, em 1906, que pretendia uma casa que deixasse Barcelona rendido e que ofuscasse as casas da Mansana de la Discòrdia. Para tal, foi dado a Gaudì um orçamento ilimitado, que o levou a produzir esta enorme escultura abstracta, onde triunfam as linhas curvas a as formas orgânicas.
Contudo, o projecto não teve o efeito desejado, chegando a ser mesmo alvo de chacota. Era um projecto muito à frente para o seu tempo e só com o passar das décadas é que se passou a ver a magnitude da arquitectura de Gaudì. Prova disso é o facto de a mesma ter sido declarada Património da Humanidade pela UNESCO, dada a sua importância para a história da arte e da arquitectura.
Posteriormente, farei um artigo falando em pormenor da obra de Gaudí em Barcelona.

La Pedrera

Ao seguirmos o nosso percurso deparámo-nos com os elegante candeeiros que enfeitam o Passeig de Gràcia, obra do magnífico artista Pere Falquès. Este arquitecto modernista produziu algo bastante original, que serve não só para iluminar a rua, como para as pessoas se sentarem e descansarem nos seus bancos. Este foi outros dos projectos da cidade que foi bastante contestado e ridicularizado, quando foram instalados, já no final do séc. XIX.

Candeeiro

Durante o nosso passeio encontrámos uma construção um pouco diferente, a Casa Montaner i Simon, um dos primeiros trabalhos modernistas de Domanèch i Montaner, construído em 1880. Inicialmente serviu como sede de uma editora, mas actualmente alberga a Fundació Tàpies, onde estão expostos os magníficos trabalhos abstractos, de vanguarda de Antoni Tàpies. Foi o próprio artista que instalou aqui a sua fundação. O Emaranhado gigante de arame colocado no telhado, é um tributo a este artista, e fazem prever o que se deve esperar dos trabalhos expostos no interior, muita experimentação com texturas e materiais.


Fundació Tàpies

Prosseguimos o nosso percurso tendo como destino a Manzana de la Discòrdia uma zona do Passeig de Gràcia, onde se pode ver um trio de edifícios modernistas, bastante diferentes e cujos autores competiram entre si pelo título da mais espectacular. Estas belíssimas casas foram construídas pelos três arquitectos mais importantes do modernismo catalão, a Casa Lleó Morera, de Domènech i Montaner, a Casa Amatller, de Puig i Cadafalch e a Casa Batlló, de Antoni Gaudì.

Mansana de la Discòrdia
A primeira casa que admirámos foi a Casa Batlló, uma das mais impressionantes obras de Gaudì, tendo sido declarada Património da Humanidade pela UNESCO, em 2005. Em 1903 Josep Batlló, um rico empresário, comprou um edifício que havia no local e encomendou a sua remodelação a Gaudì, na altura já famoso. A obra ficou completa em 1906 e contando com o apoio dos seus ajudantes habituais, construiu uma autêntica obra prima, onde se vê refletido o seu estilo muito pessoal, com inspiração mas formas orgânicas da natureza. Gaudì criou um bela fachada, com muros ondulados e sobre os quais colocou  vários fragmentos de cerâmica e vidros quebrados, conferindo um aspecto colorido e com relevos à fachada.
Batllò ficou de tal forma satisfeito com o trabalho do arquitecto, que resolveu indicar o seu nome ao seu amigo Pere Milà, para a construção de La Pedrera.

Casa Batlló

A paredes meias com a obra de Gaudí está a bonita Casa Amatller, uma das obras modernistas mais importantes de Barcelona. Em 1898, Antoni Amatller, industrial do chocolate, comprou a cada para que servisse de sua residência. E resolveu que a remodelação ficaria a cargo do arquitecto Puig i Cadafalch, que transformou o edifício num palácio gótico urbano, muito ao seu estilo. A sua fachada é descrita como "a apoteose das artes decorativas", estando coroada com um bonito frontão flamengo, decorado com azulejos vitrificados e o seu interior está magnificamente mobilado.
Uma vez que no seu interior se encontra a loja Faborit, uma Coffe Shop & Chocolate Store, decidimos entrar e comprar alguns dos mais famosos chocolates de Barcelona.

Casa Amatler

Interior da Casa Amatler

No final da Manzana de la Discòrdia está a Casa Lléo Morera, reformada em 1905, pelo arquitecto Domènech i Montaner, foi comprada pela família Lléo Morera que quis um local especial para morar. De modo a superar a magnífica concorrência, o arquitecto modernista contratou  vários artistas e artesãos para criar uma obra de grande qualidade e beleza. Esta magnífica obra sofreu bastantes danos com a Guerra Civil Espanhola, tendo sido restaurada posteriormente.

Casa Lléo Morera

Seguiu-se depois o passeios pelas famosas Ramblas. Estãs são o centro da cidade e qualquer pessoa que visite Barcelona tem que passar por este local. É aqui que há o maior fluxo de pessoas, quer locais, quer turistas. Las Ramblas é uma longa avenida rectilínea que vai desde a Plaça da Catalunya até à beira-mar e que se divide em 5 partes diferentes. 

Las Ramblas

A Rambla de Canaletes, com várias bancas de jornais e onde os locais se juntam para discutir futebol e que recebeu o seu nome devido ao um velho chafariz de ferro. Diz a lenda que quem bebesse desta fonte voltaria a Barcelona. Segue-se a Rambla dels Estudis, com várias bancas de venda de animais e onde se situa a Església de Betlem. Esta é uma igreja barroca que pertenceu aos jesuítas até à sua expulsão de Espanha, em 1767. Foi construída no local de uma igreja anterior, que terá sido destruída pelo fogo em 1671, tendo sido projectada pelo arquitecto Josep Juli.


Església de Betlem

Segue-se a Rambla de les Flors, com vários quiosques de flores, que lhe conferem um ar colorido e único. É também por aqui que se encontra o famoso Mercat de la Boqueria, um mercado cheio de vida e de cor que desperta a atenção de quem por aqui passa devido ao seu alto portão de ferro. O mais famoso mercado de Barcelona foi construído entre 1840 e 1870 e a sua construção lembra uma estação de caminhos de ferro. Este é um local fabuloso cheio de bancas repletas de frutas, legumes, queijos, mariscos e enchidos

Mercat de la Boqueria

Surge depois a Rambla dels Caputxins, onde é possível encontrar uma das obras de arte de Joan Miró, o Mosaic e onde encontrará vários músicos de rua e estátuas humanas magníficas.

Estátua Humana

Por fim, temos a Rambla de Santa Mónica, onde vários artistas de rua, entre eles os retratistas fazem a delícia dos turistas.

Depois de passearmos pelas Ramblas decidimos visitar o famoso Bairri Gòtic de Barcelona. Este percorre o coração da Barcelona mais antiga, sendo um dos bairros que menos alterações sofreu desde o séc. XV e onde é possível percorrer vielas estreitas, com os raios de Sol a infiltrarem-se por entre os prédios altos e as varandas de ferro. O mais interessante de passear por este bairro é que ao deambularmos por entre o emaranhado de ruelas, qualquer momento podemos parar numa bonita praça cheias de magníficos palácios góticos e medievais.

Ruela do Bairro Gótico

A Plaça Reial é uma das bonitas praças do Bairro Gòtic e que se localiza muito perto das Ramblas. A sua construção data dos meados do séc. XIX e na época várias foram as famílias da sociedade catalã, que decidiram ocupar os edifícios desta praça. A praça possui um encanto muito próprio, em parte devido aos belos pórticos dos edifícios, às palmeiras e a fonte construída bem no centro da praça. Existem ainda dois magníficos candeeiros, que completam o cenários e que são obra do fantástico Antoni Gaudí.

Plaça Real

 No nosso passeio pelo bairro encontrámos por acaso a Pont del Bisbe, uma bela ponte gótica, que une a Casa de los Canónigos, com o Palau de la Generalitat. E embora ela combine na perfeição com o ambiente medieval envolvente, a ponte apenas foi construída em 1928, por Joan Rubió i Bellver. O arquitecto pretendia construir uma série de novos edifícios inspirados no estilo gótico, mas o projecto não foi aceite pelo governo e apenas este belo exemplar foi aprovado, então o arquitecto decidiu incorporar uma caveira escondida com um punhal dentro. Segundo a lenda, quem cruze a ponte e veja o crânio será vítima de um feitiço.
Esta foi para mim uma das coisas mais bonitas que vi na cidade.

Pont del Bisbe

Na nossa descoberta pela bairro encontrámos também o Monuments als herois de 1809,  que foi erguido em 1929, numa homenagem aos mortos resultantes da ocupação de Barcelona pelas tropas francesas. Este monumento é um conjunto de 5 figuras em bronze, da autoria do escultor catalão Josep Llimona, e mostram as personagens condenadas um pouco antes da execução no Par de la Ciutadella. Mais tarde, em 1941, foi acrescentado ao monumento um alabastro, que pretende representar vários anjos. 

Monuments als herois de 1809

Seguimos depois em direcção à Casa de l'ardiaca, que resulta da mistura de vários estilos artísticos, devido às inúmeras reformas que a mesma sofreu ao longo dos anos. Inicialmente, foi a casa do vigário-geral, encarregue da administração da diocese, mas actualmente abriga a sede do Arquivo Histórico da Cidade de Barcelona.

Casa L'Ardiaca

Para terminar a visita ao Bairri Gótic fomos visitar a magnífica Catedral de la Santa Creu i Santa Eulàlia ou La Seu, provavelmente a construção mais importante deste bairro. A construção desta bela catedral gótica. dedicada a Santa Eulália ( santa padroeira de Barcelona),  teve inicio no final do séc. XIII, no local de um antigo templo cristão e só seis séculos mais tarde terá ficado pronta. A mistura de vários estilos arquitectónicos na sua construção, como o gótico, o barroco, o neogótico e o modernista, resulta do desenvolvimento da história religiosa de Espanha.
Posteriormente, farei um artigo onde falarei em pormenor desta bela Catedral.

La Seu

 No caminho para o próximo bairro que decidimos visitar neste segundo dia encontrámos a Església de Santa Maria del Pi, uma igreja de estilo gótico catalão, construída no séc. XIV e que provavelmente recebeu o seu pela presença de um bosque de pinheiros que envolvia o terreno em volta deste templo. O seu interior é composto por uma única nave, com capelas abertas nas laterais, já no seu exterior é possível ver uma belíssima e gigante rosácea bem no topo da fachada principal.

Església de Santa María del Pi

Para terminar o nosso segundo dia de visita à cidade fomos conhecer o El Raval,  um dos bairros de Barcelona, que se localiza bem perto das Ramblas e que é o maior dos bairros da Cidade Velha. Aqui vários são os pontos de interesse espalhados pelas suas ruas estreitas e belas.

Ruela de El Raval
 
Na descoberta de El Raval encontrámos a Església de Sant Augustí, que terá sido construído depois de o antigo convento de Sant Augustí, localizado no bairro de La Ribera, ter sido destruído aquando da construção da fortaleza da Cidadela. Assim, após o triunfo da causa Bourbon na Guerra da Sucessão Espanhola, decidiu-se erguer um novo templo e o projecto original era do engenheiro francês Alexandre de Retz, mas terá sido o mestre construtor Pere Bertran a realizar a construção. Depois da sua construção vários foram incidentes que afetaram este templo cristão.

Església de Sant Augustí
Já cansados de tanto caminhar decidimos descansar um pouco nos belos Jardins de Rubió i Lluch, um oásis de tranquilidade no meio do bairro El Raval. Aqui é possível encontrar várias atracções, nomeadamente o Hospital de la Santa Creu ( um belo exemplar do estilo gótico catalão) que actualmente, é a sede da Biblioteca Nacional de Catalunya e também do Instituto d'Estudis Catalans. 

Jardins Rubió i Lluch

Numa das bonitas praças de El Raval é possível encontrar o simpático Gato de Botero, obra do artista colombiano Fernando Botero. Antes de ter sido colocado aqui o famoso Gato esteve no Parc de la Ciutadella e mais tarde, durante os Jogos Olímpicos de 1992 foi levado para o Estadi Olímpic e só depois foi para El Raval.

Gato de Botero

Depois de um dia repleto de descobertas e de muito cansaço decidimos regressar ao hotel e descansar um pouco antes de jantar, terminando assim um dia super preenchido.


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Veja o nosso roteiro do nosso 1º dia.
Vejam o roteiro do nosso 3º dia.



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