quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Descobrir a Sagrada Família

Descobrir a Sagrada Família


O Templo Expiatório da Sagrada Família é um magnífico templo católico, idealizado pelo arquitecto Francisco de Paula del Villar, mas construído pelo fantástico arquitecto catalão Gaudí, que redireccionou o estilo neogótico inicial, para um estilo modernista catalão.

A ideia da construção de uma catedral surge com a expansão e crescimento do bairro Eixample, fazendo com que um grupo religioso, denominado Associació de Devots de Sant Josep, decidisse comprar um terreno para construir uma catedral destinada aos pobres da "nova" cidade.

Barcelona e a Sagrada Família

Gaudí assumiu o projecto quando tinha apenas 31 anos e esteve à sua frente durante 43 anos. Neste tempo ele dedicou-se de corpo e alma a um trabalho que pretendia que fosse um monumento a Deus e um ponto de referência em Barcelona. À medida que os anos passavam também as ideias de Gaudí iam modificando, muito em parte devido às constantes interrupções por falta de verbas e que levavam a que o arquitecto fosse procurando novas soluções estruturais, muitas delas a partir da experimentação em outros projectos. Quando morreu, em 1926, apenas estavam concluídas a cripta, parte da abside, a Fachada da Natividade e uma torre.
Após a morte de Gaudí, foi Domènec Sugrañes, amigo e colaborador de deste, que passou para a direcção da obra e que se manteve até 1938. Depois disso vários outras pessoas foram estando à frente da obra mas tentando sempre respeitar a ideia original de Gaudí.

Esculturas da Fachada da Natividade

Quando a Guerra Civil se instalou, em 1936, grande parte dos seus planos foram destruídos, contudo foi possível salvar uma parte que permitiu que os trabalhos pudessem ser retomados em 1957. Estima-se que os trabalhos fiquem concluídos em 2026, altura do centenário da morte de Gaudí.

A Sagrada Família foi idealizada para ter três fachadas: a Fachada da Natividade (quase concluída durante a vida de Gaudí), a Fachada da Paixão (iniciada em 1952) e a Fachada da Glória (ainda por terminar).

Coroação de Maria da Fachada da Natividade

A Fachada da Natividade foi iniciada em 1892 e foi construída virada para leste, uma vez que Gaudí queria que o nascer do Sol trouxesse nova vida ao milagre do nascimento, todas as manhãs. Esta bela fachada expressa o jubilo de toda a criação pelo nascimento de Jesus e representa os factos relevantes da Sagrada Família de Nazaré.
Nela pudemos ver diversas esculturas de Carles Mani, Llorenç Matamala e Joan Matamala.

Fachada da Natividade

Esta fachada apresenta formas orgânicas muito pouco comuns em outros templos, mas que personificam o trabalho de Gaudí. Nela pudemos ver vários elementos exultantes que evocam a vida, estando dividida em três pórticos magníficos, que estão dedicados às virtudes teologais. Nomeadamente, à Esperança, à Fé e à Caridade, esta última a porta central e terminada pela Árvore da Vida. Estes bonitos pórticos encontram-se divididos por colunas, a de São José, entre o pórtico da Esperança e o da Caridade e a coluna de Maria entre o pórtico da Caridade e o da Fé.
É ainda composta pelas 4 torres-campanário dedicadas a São Matias, São Judas Tadeu, São Simão e São Barnabé.

O pórtico da Caridade é a entrada do meio e a maior, está dedicada a Jesus, sendo possível ver representadas várias cenas do nascimento deste. Nomeadamente, a Anunciação, a Adoração dos Reis, a Adoração dos Pastores e a Coroação de Maria. 


Pórtico da Caridade

O Pórtico da Esperança, à esquerda, é dedicado a São José, nele encontramos as cenas dos Esponsais de Virgem Maria e São José, a Morte dos Inocentes, entre outros. Neste local é possível também ver vários animais domésticos, nomeadamente gansos ou patos, que surgem como alusão à fauna do rio Nilo e a flora do Egipto. O pórtico é coroado com um grande pináculo, que tem a inscrição Salva-nos.

Pórtico da Esperança

O Pórtico da Fé é dedicado à Virgem Maria e tem representadas as cenas da Imaculada Conceição, Visitação, Jesus nos braços de Simeão, entre outros.

A Fachada da Natividade e a cripta, ambas obra de Gaudí foram incluídas, em 2005, pela UNESCO, no Sítio do Património Mundial com o título "Obras de Antoni Gaudí".

A Fachada da Paixão foi totalmente realizada após a morte de Gaudí, sob a direcção de Josep Maria Subirachs e representa a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Josep seguiu o seu estilo pessoal mas sempre se inspirando no mestre Gaudí, algo que se pode entender quando se vê os vários guerreiros que a fachada possui e cujas cabeças lembram as chaminés de La Pedrera.
Esta é uma fachada mais austera e simples , sem grandes ornamentações e onde se destaca a nudez da pedra, muito semelhante a um esqueleto reduzido às linhas dos seus ossos.

Fachada da Paixão

A Fachada da Paixão é sustentada por seis colunas inclinadas, sobre as quais se encontram um frontão constituído por 18 colunas em forma de osso.
É igualmente constituída por três pórticos dedicados à Fé, Esperança e Caridade e as suas torres são dedicadas aos apóstolos Santiago Menor, São Tomé, São Filipe e São Bartolomeu.
As imagens dos últimos dias da vida de Jesus estão divididos em três níveis. No nível inferior é possível ver as cenas da última noite de Jesus antes da crucificação, nomeadamente, a Última Ceia, o Beijo de Judas, A Negação de Pedro e o Julgamento de Jesus.

Os três níveis da Fachada da Paixão

No nível do meio está representado o calvário de Jesus, nomeadamente, O soldado Longino, A Verônica e As Três Marias e Simão de Cirene.
No nível superior está representado a morte e enterro de Jesus, sendo a Crucificação, a principal cena principal do pórtico.

A Crucificação

O beijo de Judas

A Fachada da Glória ainda está a ser concluída, estimando-se que fique pronta em 2026. Quando estiver finalizada será a fachada principal deste belo templo, sendo a maior e mais monumental de todas. É dedicada à gloria celestial de Jesus, representando o caminho ascensional a Deus. Para aceder ao pórtico haverá uma enorme escadaria, com um terraço onde estará uma fonte de água com quatro cascatas.

Gaudí imaginou um templo de grandes dimensões, que pudesse ver visto de toda a cidade e se destacasse de todos os outros, para tal projectou um edifício com 18 torres, uma para cada apóstolos, 4 para os evangelistas e as torres dos zimbórios de Jesus e da Virgem Maria. As torres que representam os apóstolos terminam em pináculos de mosaicos venezianos, possuem uma cruz e esferas brancas e  ainda uma escultura do apostolo que representa. Estas doze torres irão servir de campanário e irão conter 60 sinos.

Torres da Fachada da Natividade

As torres dos evangelistas irão ser reconhecidas pelas figuras alegóricas que os representam na iconografia cristã, São João, a águia, São Marcos, o leão, São Mateus, o anjo e São Lucas, o touro. Já a torre de Maria ficará sobre a abside e terminará com uma grande estrela de 12 pontas, que simbolizam a estrela da manhã.. E por fim, a torre de Jesus, que terminará em uma grande cruz de braços, com 15 metros de altura e na parte central estará um cordeiro.

Torres da Fachada da Paixão

Assim que entramos no interior deste monumental templo ficamos completamente hipnotizados com a luz que irradia pelos maravilhosos e coloridos vitrais. O vitral principal representa a ressurreição, enquanto que os laterais simbolizam santos, obras de Joan Vila i Grau.



Bem no centro do templo ficamos com a sensação de estarmos em harmonia com a natureza, uma vez que Gaudí planeou a construção da Sagrada Família como se esta fosse uma floresta, com um conjunto de colunas arborescentes divididas em vários ramos para sustentar as abóbodas e entre os quais os raios de sol penetram como numa floresta. 


Pormenor do tecto da Sagrada Família
As colunas que se encontram no interior do templo são um projecto magnífico e único idealizado por Gaudí, que conferem um identidade muito própria ao interior da Sagrada Família.

Colunas
Mas ainda muito terá que ser feito até o interior ficar totalmente perfeito e de acordo com a vontade de Gaudí. Apesar de incompleto vários são os pormenores magníficos que tornam este templo inacabado num local único no mundo e com um carácter muito próprio. 


Baldaquino

Outro dos locais magníficos e que não tive o prazer de visitar é a Cripta, uma das zonas mais desconhecidas da Sagrada Família mas que foi declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. 
A Cripta já estava construída quando Antoni Gaudí começou a trabalhar na Sagrada Família, o que levou a que este apenas fizesse algumas alterações para potencializar a beleza da mesma. Para tal, ele transformou os pilares e elevou a abóbada da cripta.

Junto à Sagrada Família, Gaudí construiu vários outros edifícios anexos, nomeadamente a casa do capelão, o escritório de Gaudí, uma oficina de maquetes, um laboratório de fotografia, uma sala de actose ainda as Escolas da Sagrada Família ( escola destinada a filhos dos operários que trabalhavam no local). 


Sala das Escolas da Sagrada Família
Outra das zonas possíveis de visitar é o Museu, localizado onde anteriormente se encontravam as oficinas. Foi inaugurado em 1961 e lá é possível ver os planos e desenhos originais de Gaudí, bem como diversas maquetes do templo e objectos relacionados com o projecto. 


Museu

Muito mais há a dizer sobre este local místico e maravilhoso, que me faria estar aqui eternamente a descrever todos os pormenores que tornam este templo católico numa obra de arte sem precedentes. Uma das curiosidades que marca este local é o facto de só a 7 de Novembro de 2010 é que foi consagrado como Basílica Menor, pelo Papa Bento XVI.

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