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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Descobrir a Catedral de São Nicolau

Descobrir a Catedral de São Nicolau

O artigo de hoje é dedicado à Catedral de São Nicolau, em Friburgo, na Suíça.
A primeira igreja dedicada a São Nicolau está intimamente ligada à fundação da cidade, que terá sido consagrada em 1182 pelo bispo de Lausanne, Roger Vicopisano. Mas a verdade é que pouco se sabe sobre o edifício original.
A actual Catedral de São Nicolau, de estilo gótico, localizada bem no centro da cidade medieval de Friburgo, terá sido iniciada em 1283 e terminada apenas em 1430. É composto por três naves, sem transepto, possuindo dimensões impressionantes, com uma elevação de três andares do coro e da nave. A sua bela torre possui cerca de 74 metros, mas segundo se consta a mesma continua inacabada por falta de verbas.

Vista geral da Catedral

Ao percorrer este belo templo deparamo-nos com vários pontos que saltam à vista e que merecem ser destacados.

Assim que chegamos à Catedral somos atraídos pela beleza do Portão principal, composto por um baixo relevo que representa o juízo final. Na parte superior, é possível ver Cristo mostrando as suas feridas, encimado por um dossel e rodeado, do lado direito, por São João Batista, e vários anjos e do lado esquerdo, pela Virgem Maria e também vários anjos. Na parte inferior encontra-se representada a cena do julgamento, propriamente dita, com várias esculturas.
No séc. XVII foi adicionado um friso, com um texto, a separar a parte superior da inferior.

Pormenor do Portão Principal

O Portão é composto ainda por três arcos adornados com inúmeras estatuetas. O primeiro arco é constituído por 10 anjos, o segundo pelos 12 profetas e patriarcas e o terceiro por 14 figuras femininas.

Portão Principal

Outro elemento de destaque deste belo templo gótico é a Torre. A sua construção começou por volta de 1370 e as duas primeiras etapas ficaram concluídas por volta de 1430, permitindo a elevação dos arcos da nave. Mais tarde, por volta de 1470 os trabalhos foram retomados, ficando a cargo do arquitecto Georges du Gerdil, tendo os mesmos cessado em 1490, segundo se consta, por falta de verba.
Com cerca de 76 metros de altura é possível subir ao topo da torre, através dos seus 368 degraus e obter uma vista de toda a cidade. Uma particularidade deste belo exemplar é o facto de a mesma passar de um plano quadrado, no primeiro e segundo piso, para um plano octogonal, no terceiro e quarto.

Torre da Catedral
Um dos principais destaques no interior da Catedral é a Capela do Santo Sepulcro, também conhecida como Capela de Mossu. Construída entre 1430 e 1457, a mando de Jean Mossu, esta é iluminada por duas janelas com bonitos vitrais, de Alfred Manessier. No altar é possível ver uma estátua de São Lourenço, e desde os meados do séc. XV, a capela abriga também um grupo de estátuas policromáticas, que representam o Enterro de Cristo.
No arco da entrada é possível ver Quatro anjos com instrumentos da Paixão e o segundo arco possui uma pintura que representa Oito anjos com instrumentos musicais.As pinturas da abóbada e dos pilares são posteriores a 1450.

Túmulo da Capela do Santo Sepulcro

A Catedral de São Nicolau possui oito capelas laterais, que terão sido erigidas entre 1515 e 1759. Ao serem construídas foi-se tendo o cuidado de manter as características da arquitectura gótica patente no restante edifício. A primeira capela a ser construída, foi onde actualmente se encontra o altar do Sagrado Coração, em 1515, sob a alçada de Peter Falk, a segunda terá sido por volta de 1663 e é dedicada à Virgem Maria. Enquanto que as restantes apenas terão sido construídas em meados do séc. XVIII.

Nave lateral esquerda

Os altares laterais foram colocados nas capelas laterais:
 - Altar da Virgem e da Natividade (topo do corredor do lado esquerdo) - da autoria de Johann-Jakob e Franz Joseph Moosbrugger, onde é possível ver uma pintura retratando a Adoração dos Pastores e a Aparição da Trindade a São Francisco de Paulo, obra de Joseph Sauter.
 - Altar de São João Evangelista e Santa Bárbara (primeira capela) - dos irmãos Moosbrugger, aqui é possível encontrar uma Mesa retratando o Santo na companhia do evangelista e ainda uma cartela de São Mateus retratando Santa Margarida de Antioquia, de Joseph Sauter.

Altar da Virgem depois da Natividade
com Altar de São João Evangelista e Santa Bárbara
em segundo plano

- Altar de Santo Estevão (segunda capela) - dos irmãos Moosbrugger onde encontramos na mesa um objecto representando o Santo e na parede uma pintura de São Jerónimo meditando.
- Altar dos Três Reis (terceira capela) - da autoria de Anton Pfister, onde está uma bonita pintura com a Adoração dos Reis Magos, de Paul Deschwanden e, no Ático, o Trigrama de Cristo. O túmulo da família de Diesbach está sob a capela.
- Altar dos Santos André e Cláudio, depois de São Sebastião (quarta capela) - também dos irmão Moosbrugger. É possível encontrar uma pintura retratando São Sebastião com os Santos António, o Eremita e André.
- Altar de São Tiago (no topo do corredor lateral à direita) - dos irmãos Moosbrugger, onde é possível ver duas bonitas pinturas, uma da Santa Ceia e outra do Apedrejamento do Santo Estevão, da autoria de José Sauteur.
- Altar da Agonia de Jesus no Monte das Oliveiras e no Sagrado Coração (primeira capela) - onde se vê uma simples mas bonita pintura do Sagrado Coração de Jesus, de Paul Deschwanden.
- Altar do Santo Sepulcro, em seguida, Nossa Senhora das Victórias ou Nossa Senhora da Divina Proteção (segunda capela) - de Jean-François Doret, sob o patrocínio do Estado. Possui uma bonita tela retratando a Acção de Graças dos Magistrados de Friburgo após a primeira batalha de Villmergen, em 1656, um trabalho de Simon Goser.
Altar Lateral do Santo Sacramento
com Altar do Sagrado Coração em segundo plano

- Altar de São Miguel, em seguida de Santa Ana (terceira capela) - da autoria de Anton Pfister, nele é possível ver duas belas pinturas, uma representando Santa Ana com a Virgem Maria, de Paul Deschwanden e outra de São Jorge matando o Dragão, de Melchior Eggmann.
- Altar de Santo António ou de São Silvestre (quarta capela) - dos irmãos Moosbrugger. Possui também duas telas, uma representando o Batismo de Constantino pelo Papa Sylvester, e outra de São José e o Filho, ambas de Joseph Sauteur.

Pormenor do Tecto

O actual Altar Mor, colocado na Catedral em 1876, de estilo neo-gótico é da Casa Muller Wil e possui, na parte vertical a imagem de Cristo, o tabernáculo e um nicho, abrigando o Santíssimo Sacramento. No eixo horizontal é possível ver a Anunciação e o Casamento da Virgem Maria.

O Altar Principal, em frente aos portões do coro é uma obra de Georges Schneider feita em bronze e cobre. Nas laterais é possível ver representadas cenas relacionadas com o Êxodo: O Povo de Deus andando no deserto, Moisés fazendo a água fluir da rocha, A Montanha do Sinai, A junção do céu e da terra e ainda a cidade de Friburgo, onde originalmente era representada Jerusalém celestial.

Altar Principal

Outro dos destaques da Catedral são os seus vitrais. Terá sido durante o séc. XV, que foram colocados os primeiros, durante a fase final da construção da Catedral. Contudo, ao longo dos séculos os mesmo foram sendo substituídos por outros e os vitrais que pudemos ver actualmente serão já do séc. XIX.
Na década de 1890 foi lançado um concurso para a produção de vitrais originais, que embelezassem a Catedral. De entre 26 projectos a concurso, o mesmo foi vencido por um jovem artista bem talentoso, Josef Mehoffer. Este apresentou um projecto para oito janelas da nave e cinco do coro, cuja realização durou cerca de 41 anos. Na segunda metade do séc. XX,  Alfred Manessier ficou encarregue de produzir os vitrais para a Capela do Santo Sepulcro, as janelas altas da nave e ainda a roseta da torre.

Vitrais de Mehoffer
Quando foi lançado o concurso para a execução dos vitrais, foi tido em atenção as especificidades da arquitectura gótica, que se caracteriza por janelas altas e estreitas. Como tal, decidiu-se que os vitrais dessas janelas iriam representar os patronos dos altares laterais, assim como, algumas cenas conhecidas da vida cristã, como a Adoração aos Reis Magos, o Santíssimo Sacramento, entre outras. Jósef Mehoffer trabalhou ao longo de 40 anos para finalizar o seu magnífico trabalho:
   - Janelas dos Apóstolos (na primeira capela à esquerda) - neste vitral os anjos estão representados em movimento, sob os dosseis góticos: o galo da negação de Pedro e a imagem da Igreja como um barco, a águia de João Evangelista e a visão do Apocalipse, Tiago, o maior e Hermógenes, o mago, com uma representação da cidade de Cracóvia e ainda André e a visão da cruz do seu martírio. Este vitral de Art Nouveau possui vários motivos vegetais e o uso da técnica do cloisonnisme (estilo de pintura pós-impressionista).

    - Janela de Nossa Senhora da Victória (na segunda capela à direita) - este belo vitral representa a vitória na Batalha de Morat, em 1476. Possui uma cena única, que cobre toda a janela, e representa o regresso após a vitória, protegida por São Miguel, onde os confederados seguram em suas mãos as bandeiras dos cantões, que depositam diante da Rainha do Céu, cercada de anjos, numa clara alegoria da pátria. No friso superior estão representadas as três virtudes teológicas da fé, esperança e caridade, bem como a virtude da força.

    - Janela dos Mártires (na segunda capela à esquerda) - vitral representando quatro mártires, durante o seu martírio: São Maurício e a espada, São Sebastião e as flechas, Santa Catarina de Alexandria e a roda e Santa Bárbara e a torre. Na parte inferior do vitral os quatro mártires encontram-se entrelaçados com personagens femininas e na parte superior encontram-se representadas figuras angelicais e corvos, encimados por motivos florais e quatro pares de jovens, que representam a inocência dos mártires.

Vitral dos Mártires

     - Janela da Eucaristia (na primeira capela à direita) - à direita está representado o sacrifício na cruz, de Cristo, levado por dois anjos. À esquerda a adoração da Eucaristia no sacrifício eucarístico, diante de uma jovem que retrata a virtude teológica da fé, e uma procissão de anjos espíritos .Na parte inferior é possível ver um bode preso a um arbusto de espinhos, numa clara alusão ao sacrifício de Isaac.

     - Janela dos Três Reis (na terceira capela à esquerda) - representação da adoração dos Reis Magos, com os Reis, acompanhados por um anjo, a colocarem os seus presentes aos pés de Cristo, junto à Virgem Maria, enquanto José, o burro e o boi se afastam. A estrela de Belém ilumina toda a cena. Na parte inferior está representado o Rei Herodes, acompanhado da Morte, através dos corpos dos Santos Inocentes, senta-se com Santanás e a Serpente.

Vitral dos três Reis

    - Janela de São Jorge, São Miguel, Santa Ana e Santa Maria Madalena (na segunda capela à direita) - aqui está representado São Jorge, como cavaleiro, a matar um dragão; o Arcanjo São Miguel, triunfante, aparece a lutar com Santanás; Ana é encimada pela sua filha, a Virgem Maria, enquanto uma fonte com símbolos cristãos flui a seus pés; Maria Madalena, enlutada, carrega o frasco de perfume, simbolizando o ardor da sua caridade.

    - Janela dos Santos, Bispos e Diáconos (na primeira capela à esquerda) - cada santo segura uma lanceta, enquadrada pelas virtudes teológicas e cardeais, bem como pela ciência. Este é um vitral com influência de Art Noveau como fundo, mas com características realistas, menos estilizadas do que outros vitrais do mesmo autor.

      - Janela de São Nicolau de Flue (na primeira capela à direita) - mistura de Art Nouveau, arte popular e monumental e realismo.

A criação das novas janelas do coro só começou após a conclusão das janelas da nave, ou seja, após a Primeira Guerra Mundial e aqui é possível ver três janelas centrais dedicadas à Santíssima Trindade e ainda umas janelas que representam a história da Igreja e do Estado de Friburgo.

Nave Central

Vitrais de Manessier
Após os vitrais de Mehoffer serem colocados nos respectivos locais, ainda havia três sítios sem vitrais: a Capela do Santo Sepulcro, as janelas superiores da nave e a Rosácea. E foi a Manessier que foi dada a obra, já na segunda metade do séc. XX.
Para o vitral da Capela, Manessier inspira-se no túmulo do final da Idade Média, de maneira a manter a temática da capela, aqui é possível ver a representação de Sexta-feira Santa à noite e  a Manhã de Páscoa. Para as janelas superiores, o artista, escolheu o tema de Pentecostes, já para a Rosácea, escolheu o tema do Magnificat, sendo visível da Capela de São Miguel mas não da nave.

A Catedral abriga também dois órgãos, estando um deles bem em frente à Capela de São Miguel, no primeiro andar da torre. Este terá sido instalado entre 1426 e 1428, sendo substituído em 1636, por um órgão maior e mais tarde, entre 1824 e 1834 foi colocado o órgão que se mantém até aos dias de hoje, de Aloys Mooser. No coro, na parede sul encontra-se um órgão de Sebald Manderscheidt.

Órgão de Aloys Nooser

A Catedral encontra-se ainda adornada por várias pinturas, mais precisamente na nave e no coro. Na nave, junto às janelas altas, é possível ver dezoito retratos dos profetas, enquanto que no tímpano dos arcos temos os retratos dos doze apóstolos e dos quatro Doutores da Igreja Latina.

Existem também duas grandes pinturas, do séc. XVI, que adornam a parede norte do coro e que representam Cristo Ressuscitado, aparecendo a São Pedro e outro mostrando Cristo a vencer a morte, ambos do francês Nicolas Hoey.

Pinturas da nave

Coro foi construído entre os séculos XIII e XIV, tendo sofrido algumas alterações ao longo dos séculos. Entre 1627 e 1630 este sofre uma reconstrução, que esteve a cargo do engenheiro Jean Cotonnet, a mando do Bispo Jean de Watteville. O novo coro apresenta o interior um tanto sombrio e simples, destacando-se a sua abobada reticulada, obra do mestre Peter Winter, nela é possível ver o brasão do Estado de Friburgo, a Virgem Maria, São Nicolau de Myre, Santa Catarina de Alexandria, Santa Bárbara e São Carlos.
Bem por cima do coro é possível ver um Calvário a decorar o arco triunfal, com Cristo na Cruz, a Virgem Maria e São João, existindo por baixo uma viga de carvalho pintada de azul e adornada com a inscrição biblíca Empti estis pretio magno, glorifique e portate Deum in corpore vesto.


Vitrais e Calvário do coro

Uma das mais bonitas peças desta Catedral é a sua Fonte Baptismal, uma obra-prima da escultura gótica de Hermann e Gylian Aetterli, feita entre 1498 e 1499, está localizada junto à capela de Nossa Senhora da Vitória. Nela é possível ver Cristo, um anjo usando uma túnica, São João Baptista, os quatro evangelistas e ainda São Nicolau de Myre.

Pia Baptismal

Existem muitos outros pormenores a descobrir na Catedral de São Nicolau, contudo estes são aqueles que mais se destacam, no meu ponto de vista.
E assim descobrimos mais uma Catedral europeia. Descobrir Catedrais à volta da Europa tem sido um desafio e tanto e é fantástico ver como a arte sacra pode ser tão maravilhosa e tão diferente de cidade para cidade.


Leia os artigos de outras Catedrais por nós visitadas
Descobrir a Catedral de São Paulo
Descobrir a Catedral de Southwark
Descobrir a Catedral de Westminster
Descobrir a Catedral de Barcelona
Descobrir a Sagrada Família

Venha ler o nosso artigo sobre a cidade de Friburgo:

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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Descobrir Sierre

Descobrir Sierre


Na nossa mais recente visita à Suíça visitámos a região de Sierre. Inicialmente denominada de Curtis, esta localidade foi legada à Abadia de Saint-Maurice, no Cantão de Valais, que no séc. XI pertencia ao Bispado de Sion.

Esta é uma região que sobrevivia essencialmente da agricultura e só com o aparecimento dos caminhos de ferro, em 1868 é que começou a ficar mais desenvolvida.
Conhecida como a cidade do sol, por possuir sol cerca de 300 dias por ano, Sierre não mudou muito na sua aparência ao longo dos tempos, mantendo-se uma cidade quente e antiga, que se transformou numa cidade animada e acolhedora. Esta é a principal região vinícola da Suiça, sendo a sua paisagem maioritariamente constituída por vinhas.

Apesar de não possuir um grande número de atracções, a verdade é que as poucas que existem são bonitas e bem interessantes, tornando o passeio muito agradável. Prepare-se para caminhar, sempre rodeado de uma bela paisagem e facilmente visita a cidade em uma manhã ou tarde.

Sierre

O primeiro local que visitámos foi o Museu do Vinho do Valais, que tem como objectivo garantir a conservação do património ligado às vinhas e à produção de vinhos. As actividades do museu giram em torno de quatro missões básicas: conservação e manutenção de inventários, pesquisas científicas, destaque de colecções e educação pública cultural.

Bem junto ao Museu encontrámos o Château de Villa, um castelo construído no séc. XV, por uma família de Platea. Em 1939 o edifício foi comprado e restaurado por Mme. Panchaud De Bottens, com o intuito de criar um museu de trajes suíços, contudo o plano saiu furado quando a mesma foi vítima de fraude e teve que abrir falência. Recentemente, em 1951, o castelo tornou-se propriedade de uma fundação sem fins lucrativos, cujo objectivo era fazer do Château de Villa um lugar de importância para a cidade e para o cantão de Valais. As prioridades da fundação são garantir a preservação do próprio castelo e promover os interesses culturais e económicos do Valais.
Actualmente abriga um restaurante e uma enoteca, onde é feita a promoção dos produtos de Valais, em especial dos seus vinhos.

Château de Villa
Continuámos o nosso passeio e fomos visitar o Le Château de Mercier, propriedade da família Mercier de Lausanne, na colina de Pradegg. Este belo castelo, construído em 1908, combina os estilos neo-renascentista e neo-barroco, sendo composto por três casas e algumas dependências, nomeadamente, celeiros, estábulos, galpões, entre outros. Terá sido construído para a família passar as férias de Verão, contudo, como a manutenção da casa e do seu belo parque ficava bastante dispendiosa, em 1991, a família legou ao Estado de Valais. Foi então renovada por mais de 4 milhões de francos suíços e a sua gestão foi confiada a uma fundação de Sierre, que organiza eventos culturais e gere o centro de acolhimento de seminários.

Le Château Mercier

Este é um local alegre e emocionante, onde a viticultura ganhou uma verdadeira dimensão cultural e onde cada local possui uma beleza única e tão virada para promoção de Sierre. 
Vocês já visitaram a cidade? O que acharam?

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Leia os nossos outros artigos sobre a Suiça:















segunda-feira, 9 de abril de 2018

Um dia em...Friburgo

Um dia em...Friburgo

Friburgo é uma cidade do cantão suíço com o mesmo nome, possuindo um dos mais bonitos e bem conservados conjuntos arquitectónicos  medievais da Europa, composto por fontes e igrejas datadas desde o séc. XII até ao séc. XVII.
Localizada numa península, rodeada dos três lados pelo La Sarine, foi fundada por volta de 1157, pelo Duque Bertoldo IV de Zahringen, tendo ao longo dos séculos, sido controlada por diversas casas e participado em diversas guerras.
Durante os séc. XIX e XX sofre grandes alterações quer a nível cultural, quer na sua estrutura, nomeadamente com a destruição parcial da sua muralha e com a construção de uma nova ponte sobre o Rio Sarine.

Friburgo

As principais atracções turísticas da cidade são a arquitectura militar medieval mais importante da Suiça, com cerca de 2km de muralhas, 14 torres e ainda um grande bastião, a sua bela Catedral gótica, com cerca de 76 metros de altura, do séc. XIII, o Museu de História Natural, fundado em 1873, entre vários outros museus, as inúmeras fontes espalhadas pela cidade, várias capelas e edifícios seculares.


Recentemente passei um dia em Friburgo e fiquei encantada com esta bela cidade que tanto tem para oferecer, e como tal, decidi partilhar convosco o nosso roteiro.

O nosso roteiro:
Chegámos de manhã à cidade e fomos directos ao posto de turismo para conseguir um mapa de Friburgo e algumas indicações para visitarmos as atracções mais importantes, uma vez que não tínhamos muito tempo.

Bem pertinho do posto de turismo encontrámos a Igreja Protestante de Friburgo, fundada em 1875 e que ao longo das décadas tem sofrido várias reformas, a última das quais em 2010/2011. A paróquia protestante é bilingue e formada por cerca de 5600 membros.


Igreja Protestante de Friburgo
Continuámos o nosso percurso em direcção à bonita e pacata Square des Places, onde está localizado o elegante edifício do Posto dos Correios.

Square des Places

E seguimos pela Rua de Lausanne, uma elegante rua comercial que nos leva até à Place de l'Hôtel de Ville, praça onde ocorre o mercado todos os sábados e onde está localizado o Hôtel de Ville, uma construção gótica de 1522, concebido para funcionar como celeiro, mas que actualmente alberga a Câmara Municipal e ainda a magnífica Torre do Relógio e a Maison de Ville ( uma bela casa barroca).

Rua de Lausanne

Nesta mesma praça encontrámos ainda a Fonte de São Jorge, construída entre 1522 e 1524, conhecida por possuir uma coluna com uma escultura de pedra de São Jorge, em cima de um cavalo a matar um dragão, cuja autoria é de Hans Geiler.
Em breve sairá um artigo dedicado às bonitas fontes renascentistas espalhadas pela cidade.

Place de l'Hôtel

Seguimos em direcção à Catedral de São Nicolau, ou Catedral de Friburgo, uma bela catedral gótica, dedicada ao padroeiro da cidade, localizada bem no centro histórico. Foi construída entre 1283 e 1490, mas não foi totalmente acabada, por falta de verba. Possui uma torre com 74 metros de altura, que oferece uma vista panorâmica pela cidade, sendo conhecida pelo seu magnífico conjunto de vitrais, do estilo Art Nouveau, um dos mais bonitos de toda a Europa.
Em breve sairá um artigo todo dedicado à Catedral.

Catedral de São Nicolau

Depois de visitarmos a catedral decidimos caminhar em direcção ao Rio e encontrámos bem por de trás do edifício mais uma das fontes renascentistas que se encontram espalhadas pela cidade. Desta vez encontrámos a Fonte da Bravura, construída no séc. XIV, na Praça do Hôtel de Ville, onde permaneceu até 1840. O senão é que essa zona andava em obras e não conseguimos ter uma perspectiva completa da fonte.

Continuámos o nosso itinerário e chegámos à Ponte Zaehringen, construída em 1924, substituindo a ponte que se encontrava no local. Em 2014, foi proibido o trânsito de veículos motorizados nesta ponte, com excepção dos serviços de segurança, os motociclos e os transportes públicos.

Ponte Zaehringen

Bem junto à Ponte encontrámos uma escada que nos levou para a borda do rio e continuámos até à histórica Ponte de Berna. Esta é a a única ponte coberta de madeira que ainda existe em Friburgo, tendo sido construída em 1250, um século após a fundação da cidade. Aos longo dos séculos foi sendo renovada o que lhe permitiu permanecer até aos dias de hoje. Esta é sem dúvida uma das atracções mais bonitas da cidade, apesar de ser bem simples e sem nenhum adorno especial, a verdade é que toda a moldura que a rodeia tornam o local magnífico.

Ponte de Berna

Prosseguimos a nossa incursão pelo centro histórico da cidade e encontrámos a Fonte de Santa Ana. A Fonte inicial terá sido construída por volta de 1349, mas a fonte que chegou até aos nossos dias data de 1559, sendo uma fonte retangular, cuja coluna se encontrada adornada com criaturas marinhas e alguns querubins e símbolos musicais, numa alusão ao antigo Hospício de St. James. Possui ainda uma bonita escultura representando a Santa Ana, a Virgem e a Criança, em estilo gótico.

Fonte de Santa Ana

Bem próximo da fonte voltámos a passar o Sarine desta vez através da Ponte de Milieu situada na parte baixa de cidade. A primeira ponte no local foi construída em 1275 e a actual data de 1720, quando a ponte de madeira deu lugar a uma ponte de quatro arcos.

Em cima da Ponte Milieu
Esta ponte oferece-nos uma das vistas mais bonitas do centro histórico da cidade e da sua Catedral, valendo a pena caminhar até este local para ter esta perspectiva de Friburgo.

Vista da cidade de Friburgo
Desviamo-nos depois um pouco do nosso percurso para visitar a Capela de Lorette, um bonito santuário de estilo barroco, construído por Jean François Reyff, em 1648. Esta foi construída para trazer a paz ao país. Localizada num dos pontos mais altos de Friburgo, quem visita a Capela de Lorette é recompensado com uma das vistas mais encanadoras sobre a cidade, vislumbrando os vários bairros e pontes de Friburgo.

Capela de Lorette
De seguida voltámos ao nosso roteiro e passámos pela a Igreja de São João, uma igreja medieval, reconstruída no séc. XVIII e bem simples e pela a Fonte de São João. Construída por Hans Geing e pelo seu filho Frantz Geing, esta bela fonte de estilo renascentista possui uma estátua de São João Batista, na sua capa e segurando na mão esquerda um ferro.

Igreja de São João

Prosseguimos com o nosso passeio pelas ruelas da parte baixa da cidade, também conhecida como Neuveville e fomos aproveitando para tirar fotos a tudo o que víamos e encontrámos mais uma bonita fonte, desta vez a Fonte da Força. Construída em 1549, da autoria de Hans Geing, esta fonte, encontra-se localizada no final da escada de Court-Chemin e representa uma figura de força, valor e ousadia.

Fonte da Força
Depois de explorada a parte baixa da cidade, optámos por apanhar o Funicular para regressar à parte alta , também conhecida por St. Pierre. Este belo exemplar, uma das atracções mais encantadores de Friburgo, foi inaugurado em 1899 e funciona com as águas residuais da cidade, que funcionam como contrapeso. Foi uma viagem de cerca de 2 minutos que adorámos fazer e que aconselhamos a quem visitar a cidade.

Linha do Funicular

E assim terminava a nossa visita por Friburgo, uma cidade encantadora que tanto nos deslumbrou com a sua arquitectura, a sua cultura, a sua história. Era uma cidade sobre a qual não tinha grandes expectativas mas que se revelou como uma magnífica surpresa.

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Leia os nossos outros artigos sobre a Suiça:





sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Descobrir Villars sur Ollon

Descobrir Villars sur Ollon

Na nossa viagem de Inverno à Suíça ficámos em casa de uns amigos que vivem numa aldeia bem no cimo de uma montanha chamada Villars sur Ollon. Esta pequena aldeia turística localiza-se a 1300 metros de altitude, num bonito planalto acima do Vale do Ródano, bem no coração dos Alpes de Vaud.

Chegada a Villars sur Ollon

Villars sur Ollon é um encantador resort de férias, que nos oferece um ambiente multicultural, com turistas de todas as idades e partes do mundo, que vêm em buscas das férias perfeitas num cenário idílico com paisagens únicas que vão desde o Lago de Genebra até ao Mont-Blanc.

Aa montanhas à volta da vila
Aqui existe uma panóplia de actividades para se fazer, o que permite que passemos o tempo sempre ocupados, seja Verão ou Inverno. No Verão pode optar pelas caminhadas (existem cerca de 300 km de percursos pedestres), BTT (existem cerca de 150 km de rotas de BTT) ou até golfe (existe um campo de golfe com 18 buracos) e ainda se preferir pode optar por fazer um agradável passeio pelos lagos espalhados pela montanha.
Já no Inverno pode percorrer as várias pistas de esquis, com a ajuda dos vários teleféricos espalhados pela zona e optar por praticar vários desportos de Inverno.

Pistas de desportos de Inverno em Roc d'Orsay
Como fomos no Inverno, tivemos a sorte de visitar algumas pistas de esqui e puder ver os vários tipos de desportos de Inverno que aqui se praticam, ao mesmo tempo que conseguimos ver as bonitas montanhas cobertas de neve, oferecendo uma paisagem magnífica.

Pistas de desportos de Inverno em Bretaye

Os primeiros vestígios de actividade nesta zona remontam aos séc. XII e XIII quando foi habitada por camponeses. Com o passar dos séculos foi-se tornando cada vez mais famosa para os praticantes de esqui e se no início ver as montanhas cheias de neve deixava os seus habitantes rodeados de um ambiente triste, frio e hostil, actualmente, com a prática de vários desportos de inverno ver as montanhas cheias de neve tornou-se sinónimo de beleza, luz e alegria.

A Vila
Em 1938, Villars foi classificada como um dos principais resorts de desportos de inverno da Europa, levando a que vários clubes de esqui suíço decidissem fixar as suas escolas nesta bela aldeia turística e assim a vila passou a ser um spot turístico para todos os amantes dos desportos de Inverno.

A Vila
Estas foram sem dúvida umas férias fantásticas, numa vila típica, com um ambiente único, que nos fez viver momentos magníficos. Se visitar Villars não deixe de passear pelas ruas e descobrir o comércio típico nas feiras de inverno e de se deslumbrar com as magníficas casas de madeira que completa a vista da vila.

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sábado, 8 de outubro de 2016

Um dia em...Sion

Um dia em...Sion

Hoje o artigo "Um dia em..." é dedicado à bonita cidade de Sion, que terá sido fundada no séc. I, com o nome de Sedunum, sendo a mais antiga cidade da Suiça e o centro económico do Cantão do Valais, do qual é capital. Faz ainda parte do Inventário de Sítios de Herança suíços.

Esta bonita e pequena cidade foi construída no meio de um vale, formado por duas colinas bem próximas e onde foram construídos dois castelos, que são vestígio do poderoso bispado que governou o Cantão de Valais, durante séculos.

Sion

O centro histórico de Sion é absolutamente encantador com as suas ruas cheias de edifícios góticos e renascentistas e ao passearmos por aqui facilmente conseguimos sentir os inúmeros séculos de história, que tornaram esta cidade numa encantadora localidade. Sion é sem dúvida uma pequena cidade rica em descobertas, que nos deixa completamente encantados.

Centro histórico de Sion


Espalhados pela cidade é possível encontrar 14 edifícios ou locais, que se encontram listados como património suíço de importância nacional. Estes locais incluem a Catedral de Sion, o Castelo Majorie, o Castelo de Tourbillon, a Igreja de São Teodoro, o Castelo de Valère, entre muitos outros.


Sion à noite

O nosso roteiro
Na nossa viagem para a Suiça decidimos passar por Sion e conhecer a mais ensolarada cidade do país e alguns dos seus mais emblemáticos monumentos.
Iniciámos o nosso percurso pelas bonitas e históricas ruelas, onde encontrámos o famoso Hotêl de Ville, um bonito edifício que alberga a Câmara Municipal. Este terá sido construído no séc. XVII, pela mão do mestre pedreiro Michel Mag e é constituído por uma bonita torre de relógio, encimado por uma cúpula e uma torre-lanterna. Na fachada principal é possível ver uma porta onde está esculpido o julgamento de Salomão.

Hotêl de Ville
Depois de deambularmos pelas ruelas em pedra da cidade, decidimos partir colina acima para visitar os dois famosos castelos de Sion e pelo caminho fomos encontrando diversas outras atrações. Nomeadamente, o Museu de arte localizado bem no sopé das colinas de Valère e de Tourbillon. Este belo museu, uma referência na criação artística ligada ao Valais, é composto por três áreas principais: a paisagem do séc. XVIII até aos nossos dias, os pintores da Escola de Savièse do séc. XX e a arte contemporânea. Junto à entrada do museu encontrámos uma bonita estátua do Santo Teodoro, patrono de Valais.

Museu de Arte


Saindo do museu e continuando a subir a colina chegámos a uma praceta onde descansámos um pouco e aproveitámos para tirar fotos. Seguindo, depois em direcção ao Castelo de Tourbillon. Este terá sido construído no séc. XIII, a mando do bispo Boniface de Challant, para servir de sua residência, tendo-se tornado um símbolo visível do poder secular eclesiástico. Mais tarde, já no séc. XVIII, um gigantesco  incêndio na cidade, reduziu o castelo a cinzas, tendo sido mais tarde reconstruído.
As suas ruínas localizam-se numa torre rochosa bem acima da cidade e para conseguir chegar ao local é necessário subir umas escadas bem íngremes, por isso prepare bem o fôlego.
Actualmente, é um museu de ruínas a céu aberto e no seu interior é possível encontrar a Capela de São Jorge. Nesta bonita capela medieval estão algumas pinturas do séc. XIV e XV, feitas a partir de minerais.

Castelo de Tourbillon


Depois de visitado o Castelo de Tourbillon, foi a vez de nos dirigirmos ao Castelo de Valère, que mais não é do que uma igreja fortificada, construída no séc. XII e XIII, e que era habitado por cónegos até à Revolução Francesa.
Actualmente, é uma basílica menor, consagrada pelo Papa João Paulo II, em 1984, e alberga o Museu Cantonal de História. No seu interior, para além dos bonitos capitéis românicos, possui um órgão, do séc. XIV, sendo o mais antigo do mundo ainda em funcionamento.

Castelo de Valère

No percurso para o Castelo de Valère, deparámo-nos com a pequena e bonita Capela de Todos os Santos. Esta simples capela terá sido construída a mando de Blandrate em 1325 e já em pleno séc. XX terá sofrido uma reforma.

Capela de Todos os Santos

Depois de visitarmos os dois castelos no topo das colinas, fizemos o percurso de regresso para visitar a bonita Catedral de Sion, mas pelo caminho encontrámos a encantadora Igreja de São Teodoro, que terá sido construída no séc. XVI. Esta igreja é um bonito edifício de estilo gótico, constituído por uma única nave, que termina com um coro poligonal.

Igreja de São Teodoro
Bem ao lado encontra-se a Catedral de Sion. Esta é uma Catedral romana do séc. XII, de estilo bizantino, que tem sofrido várias alterações ao longo dos séculos. Nomeadamente, o campanário românico e vários outros elementos tardo-góticos.

Campanário da Catedral de Sion

E terminava assim o nosso roteiro de um dia por Sion. Esta é realmente uma cidade encantadora e com ambiente histórico maravilhoso, que merece uma visita a quem esteja pela Suíça.

E vocês já visitaram Sion? Quais as vossas impressões?
Caso estejam por Sion e queiram pernoitar, não deixem de ver as possibilidades de hotéis por aqui.



Espero que tenham gostado