segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Roteiro de dois dias em Sintra

Roteiro de dois dias por Sintra

A Vila de Sintra, o Monte da Lua, classificada como património mundial pela UNESCO, localiza-se na encosta norte da Serra com o mesmo nome e é um dos locais mais mágicos e misteriosos que alguma vez conheci.
Aqui é possível encontrar a simbiose perfeita entre a Natureza e o Homem, mais propriamente entre o Parque Nacional da Serra de Sintra e palácios magníficos, deslumbrantes residências e ainda um castelo em ruínas, no alto de uma colina.

Visitei Sintra pela primeira vez quando era adolescente e fiquei encantada com a Vila, desejando puder um dia vir a conhecer tudo de uma forma mais completa. Finalmente a oportunidade surgiu e apesar das condições atmosféricas não terem sido as melhores, a verdade é que valeu muito a pena e pretendo voltar brevemente.

Como viajámos com uma criança de 3 anos e eu me encontrava grávida de 8 meses, decidimos ficar alojados bem no Centro Histórico da Vila ( falarei posteriormente do nosso hotel - Casa da Pendoa) e planeámos a visita o mais possível para não ser extremamente cansativo nem para mim nem para a minha filha, não visitando um grande número de atracções, mas apenas as atracções principais.

O nosso roteiro
1º Dia
No primeiro dia o plano era visitar o Parque e Palácio da Pena e a Quinta da Regaleira, para tal, fomos até ao Posto de Turismo, pedir informações e comprar os bilhetes, para as atrações que queríamos visitar. De notar, que o bilhete da Quinta da Regaleira tem que ser comprado no local, os restantes bilhetes se forem comprados no Posto de Turismo e ao mesmo tempo têm um desconto de 5%.

Depois de recolhidas as informações necessárias dirigimo-nos até à paragem de autocarro para apanhar a Carreira 434, que faz o "Circuito da Pena", e lá fomos nós desbravar caminho.
A primeira paragem foi no Castelo dos Mouros. Testemunho da presença islâmica na região, este castelo terá sido construído entre os séc. VIII e IX e posteriormente ampliado, por altura da conquista muçulmana da Península Ibérica.

O Castelo dos Mouros, devido à sua localização, num dos Picos da Serra de Sintra foi o local ideal , encontrado pelos árabes, para construir a sua dupla cintura de muralhas defensivas. A sua arquitectura é fruto de várias intervenções iniciadas por D. Afonso Henriques, após a tomada de Lisboa e Santarém, passando pelas alterações feitas por D. Fernando I. Tendo sofrido novas alterações após o terramoto de 1755 e ainda algumas alterações durante o reinado de D. Fernando II, no séc. XIX, muito ao gosto romântico da época. Apesar de todas as alterações, foram preservadas as características da arquitectura inicial.

O Castelo visto do Paço Real

A sua presença imponente no pico da Serra dá uma foto incrível, mas não só, no próprio local do Castelo é possível admirar uma paisagem única, que tem como primeiro plano a Vila, o Paço e o Palácio da Pena e mais distante o Cabo da Roca, a Praia das Maças, Mafra, Ericeira e o Oceano Atlântico.

Depois de visitada a zona do Castelo, voltámos a apanhar a Carreira 434 e seguimos em direcção ao nosso destino inicial, o Parque e Palácio da Pena ( posteriormente farei um artigo só dedicado a este local).
Parque da Pena circunda todo o Palácio da Pena, por mais de 200 hectares, compostos por vários trilhos por entre florestas e jardins, cheios de plantas, árvores e flores, nativos de vários recantos do mundo, sendo um verdadeiro tesouro de património natural.
Dentro do Parque é possível apanhar um mini bus que faz o percurso pelos principais pontos do Parque, nomeadamente a Cruz Alta, o Alto de Santo António, o Alto de Santa Catarina, a Gruta do Monge, a Fonte dos Passarinhos, a Feteira da Rainha e o Vale dos Lagos. Nós como tínhamos o carro da nossa filha e como o mini bus é como o nome indica mini, decidimos fazer o que conseguíssemos a pé, dirigindo-nos para o Palácio.

O Palácio da Pena é um dos palácios mais românticos de Portugal, tenso sido construído durante o séc. XIX, a mando do Rei D. Fernando II, que era considerado um artista, apaixonado pelas artes que idealizava um palácio com a magnitude de um cenário de ópera. Este foi regido sobre as ruínas de um convento quinhentista, que o rei tinha adquirido.

Maquete do Palácio da Pena 

Depois de ver o Palácio fomos até ao Chalet e Jardim da Condessa d'Ella, criado na zona ocidental do Parque da Pena, na segunda metade do séc. XIX, a mando do rei D. Fernando II e da sua segunda esposa, Elise Hensler, Condessa d'Ella. A ideia era o local servir de refúgio e recreio deste casal.
A decoração do local, bem eclética, é composta por bonitas pinturas, magníficos estuques, azulejos únicos e a presença exaustiva da cortiça, como elemento ornamental. Já o jardim é caracterizado pela presença da vegetação autóctone e espécies botânicas vindas dos quatro cantos do mundo, destacando-se a Feteira da Condessa, o Jardim da Joina, o Caramanchão e os Lagos.

Depois da visita pelo Parque voltámos a apanhar a Carreira 434 (o bilhete comprado no início serve para o percurso todo) e seguimos em direcção à Vila para almoçarmos e depois continuar o resto do nosso roteiro. Escolhemos um belo restaurante chamado "Bacalhau na Vila", onde todos os pratos são feito de bacalhau.

Com a barriga composta, decidimos ir até à Quinta da Regaleira a pé, pelo caminho encontrámos a Igreja de São Martinho, localizada mesmo ao lado do Posto de Turismo. Esta bonita e simples igreja é a Igreja Paroquial da Vila, tendo a igreja primitiva sido construída entre 1147 e 1154, pelo Rei D. Afonso Henriques, após a reconquista de Sintra aos muçulmanos.
Nela é possível encontrar um pequeno museu de arte sacra, que pode ser visitado por qualquer pessoa e cuja a entrada é livre, pedindo a paróquia, a cada pessoa que a visita, que contribua com uma pequena gratificação.

O interior da Igreja de S. Martinho

Seguimos depois para o nosso destino e chegámos à Quinta da Regaleira, onde comprámos os bilhetes e partimos à descoberta do local.
Situada em pleno Centro Histórico de Sinta, a Quinta da Regaleira, classificada como Património Mundial pela UNESCO, foi construída no final do séc. XIX, com inspiração no Romantismo, a mando do homem mais rico de Portugal, na época. O seu proprietário, António Augusto Carvalho Monteiro, tinha interesses filosóficos e iniciáticos muito específicos e o conjunto da edificação e do jardim reflete isso mesmo, algo que foi exuberantemente transmitido pelo talentoso arquitecto cenógrafo Luigi Manini.
A principal atracção da propriedade são os seus magníficos jardins, com um elaborado sistema de túneis. Por toda a parte, escondidos na propriedade, é possível encontrar diversos símbolos religiosos, jardins ocultos e outros objectos bem misteriosos.
Posteriormente farei um artigo inteiramente dedicado a este maravilhoso local.

O edifício da Quinta da Regaleira


Completamente destruído após a visita e depois de um dia cheio de caminhadas, decidimos voltar ao centro da Vila e passar pela pastelaria mais conhecida das redondezas, "A Piriquita", para lanchar, mas como o local estava à pinha decidimos levar o lanche para casa e assim dar  o dia por terminado.


2ºdia
Para o segundo dia decidimos deixar o Parque e Palácio de Monserrate e o Palácio Nacional de Sintra. 

Começámos por apanhar a Carreira 435, bem perto do Posto de Turismo, que faz o Circuito Monserrate, e seguimos em direcção ao nosso destino. Apanhámos um motorista super bem disposto que nos foi explicando tudo o que íamos vendo ao longo do percurso. 

Chegámos ao Parque de Monserrate, construído por um milionário inglês, Sir Francis Cook.  Este parque é uma das mais bonitas criações paisagísticas do Romantismo, sendo uma antiga propriedade rural de 33 hectares, onde pudemos ver uma belíssima colecção botânica com espécies de todo o mundo, divididas por zonas distintas, construindo cenários maravilhosos ao longo de todo o percurso.

Depois de percorrida a maior parte do parque chegámos ao Palácio de Monserrate, que terá sido construído por volta de 1856, de acordo com o projecto do arquitecto inglês James T. Knowles, para servir de residência de Verão da família Cook. Para tal, foram utilizadas as ruínas da mansão neogótica edificada por Gerard de Visme, do séc. XVIII.
Posteriormente farei um artigo todo dedicado ao Parque e Palácio de Monserrate, contando em pormenor a história do local.

O Palácio de Monserrate

Caminhámos pelo  Parque, até chegar à entrada para voltar a apanhar a Carreira 435 e seguir em direcção à Vila. Decidimos sair junto à estação de comboios para almoçar e depois fazer o percurso a pé até ao Centro Histórico, pela denominada Volta do Duche, uma estrada cheia de vegetação e grandes árvores e por onde vamos encontrando diversas atracções, nomeadamente a Fábrica das Verdadeiras Queijadas de Sapa, a entrada do Museu Anjos Teixeira, a entrada para o Parque da Liberdade, a Fonte Mourisca e ainda uma bonita exposição temporária, feita com estátuas diferentes e contemporâneas.

Chegados ao Centro da Vila fomos até ao Palácio Nacional de Sintra, conhecido por Paço Real. Situado no coração de Sintra, este é um palácio de estilo gótico, construído no final do séc. XIV, tendo sido Palácio Real mais frequentado de Portugal, continuamente utilizado desde o séc. XV até à queda da Monarquia, em 1910, ano em que foi declarado Monumento Nacional.
Cada sala é caracterizada pela sua decoração única, sendo um verdadeiro museu de azulejo, com aplicações magníficas. 
O seu exterior é composto por arcos góticos e fachadas simplistas brancas e ainda por duas monumentais chaminés maciças vindas da cozinha, que o tornam visível praticamente em toda a Vila. Este é um dos locais a que dedicarei um artigo completo.

Como acabámos a visita ainda cedo, decidimos ir até ao Museu da História Natural de Sintra, também ele localizado no Centro Histórico, e que expõe uma belíssima colecção de fósseis doados por Miguel Barbosa e a sua mulher, Fernanda Barbosa, que durante cerca de 50 anos reuniram um acervo único, composto por milhares de fósseis de valor incalculável. Foi inaugurado em Agosto de 2009 e a sua Sala de Exposições Permanentes está dividida por 6 módulos distintos, que representam a evolução da vida na Terra, desde os seus primórdios até ao Quaternário.
Este Museu é composto por uma Sala de Exposições Permanentes e uma Sala de Exposições Temporárias, que está preparada para receber eventos diversos e o bilhete custa apenas 1€.

Visitado o Museu decidimos voltar à "Piriquita", comprar o lanche e terminar o nosso dia, pois o cansaço, aliado à chuva já estava a ser demais.

Foram sem dúvida dois dias maravilhosos e cheios de aventuras onde conseguimos descobrir um pouco mais da história de Portugal e da beleza do nosso belo país. Sem dúvida um lugar onde pretendo voltar, de preferência com melhor tempo.

Infelizmente, depois de regressar de férias fiquei sem telemóvel e fiquei sem todas as fotos que lá estavam, tendo apenas as da máquina. Contudo, poucas foram as que tirei com a máquina devido às condições atmosféricas.

Se pretender adquirir bilhetes para as atracções de Sintra basta aceder aqui ao site GetYourGuide e encontrará uma plataforma que reúne as melhores actividades da zona.

Este blog tem parceria com o Booking. Se pretende fazer a sua reserva para ficar alojado em Sintra, contrate o serviço aqui e estará a ajudar o nosso blog, já que o nosso trabalho é voluntário.












1 comentário: