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sábado, 19 de agosto de 2017

Descobrir Barcelona de Gaudí

Descobrir Barcelona de Gaudí

Este artigo não era suposto sair hoje, mas dado os últimos acontecimentos em Barcelona, decidi publicá-lo como forma de homenagem a esta bonita cidade e a toda a sua população. Juntos conseguiremos combater o terrorismo e mostrar que não nos rendemos ao medo. Força Barcelona....

Barcelona possui um elo enorme com Antoni Gaudí, como poucas cidades do mundo possuem com algum arquitecto. As magníficas obras de Gaudí são únicas e resultam da combinação das formas e cores da natureza, com técnicas de construção inovadoras e modernas.
Antoni Gaudí é um dos arquitectos mais famosos do mundo e foi em Barcelona que toda a sua genialidade ganhou forma. Religioso fervoroso e apaixonado pela natureza, conseguiu aliar as sua suas paixões numa simbiose perfeita e criar autênticas obras de arte que ainda hoje são cartões postais de Barcelona. Mas o seu estilo peculiar não agradou a muitos, na época, e como tal este não viu o seu trabalho ser devidamente reconhecido.

Barcelona vista do Parque Guell

Depois de se conhecer o trabalho e estilo de Gaudí é fácil passar por um monumento e ver que este tem a assinatura do arquitecto. O seu estilo único é inconfundível e por isso vamos falar um pouco sobre o seu magnífico trabalho.

Após se graduar como arquitecto, em 1878, Gaudí desenhou os candeeiros de iluminação na Plaça Reial, encomendados pela Câmara de Barcelona. Estes belos candeeiros de seis braços, inaugurados em 1879, durante os festejos de La Mercè, foram construídos em ferro fundido e com uma base em mármore.

Candeeiro da Plaça Reial

Segue-se a Casa Vicens, que foi a primeira casa desenhada por Gaudí. Construída entre 1883 e 1888, esta foi encomendada por Manuel Vicens i Montaner, dono de uma fábrica de tijolos e fabricante de azulejos, para servir como casa de verão.
A primeira grande obra do mestre surge como um palácio de "As Mil e Uma Noites" e junta elementos da tradição burguesa espanhola e a tradição árabe secular, sendo constituída por um conjunto de estilos diferentes.

Casa Vicens (Foto: casavicens.org)

Localizado na Carrer Nou de la Rambla, o Palácio Guell, foi outra das primeiras obras de Gaudí na cidade de Barcelona, tendo sido construído entre 1885 e 1890. Tal como o Parque Guell, foi encomendada por Eusebi Guell para servir de residência a si e à sua família. Este belo edifício de estilo modernista catalão foi declarado Património da Humanidade pela UNESCO em 1984 e em 2011 foi reaberto ao público depois de sete anos fechado para obras.

Palácio Guell (Foto: Barcelona Connect)

Já a Casa Calvet é uma das obras menos conhecida de Gaudí e considerada por muitos como a mais conservadora do arquitecto. Em estilo barroco, este edifício de 5 andares, construído entre 1898 e 1900, foi encomendado por um empresário da área têxtil, para servir tanto para o negócio, na cave e piso térreo, como para habitação nos pisos superiores. Acredita-se que o edifício seja mais conservador, uma vez que este teve que ser encaixado noutros já existentes, ao mesmo tempo que estava localizado num bairro bem elegante de Barcelona.
Em 1900 a Casa Calvet recebeu o prémio de melhor edifício concedido pelo Município de Barcelona.

Casa Calvet (Foto: Turisme de Barcelona)

A Casa Batló é uma das mais imponentes e importantes obras de Gaudí, coincidindo com o período mais criativo do génio. Também conhecida como a "casa de los huesos", devido à semelhança de alguns elementos da fachada com ossos, esta foi reformada por Gaudí, entre 1903 e 1906. Josep Batló, um rico empresário da área têxtil, comprou o edifício e encomendou a remodelação do mesmo ao arquitecto, tendo ficado extremamente contente com o resultado obtido. Como tal, resolveu indicar o seu nome ao seu amigo Pere Milà, para a construção de La Pedrera.
Contando com o apoio dos seus ajudantes habituais, construiu uma autêntica obra prima, onde se vê refletido o seu estilo muito pessoal, com inspiração nas formas orgânicas da natureza. Gaudì criou uma bela fachada, com muros ondulados e sobre os quais colocou  vários fragmentos de cerâmica e vidros quebrados, conferindo um aspecto colorido e com relevos à fachada, já no alto do prédio é possível ver uma torre coroada com uma cruz de 4 braços, que pretende simbolizar a espada de São Jorge a atravessar o corpo de um dragão, numa clara referência ao padroeiro da Catalunha. 
Em 2005 foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO.


Casa Batló


A Casa Milà, também conhecida como La Pedrera, é uma das mais importantes obras do génio Antoni Gaudí. Este enorme edifício de habitação que ocupa um quarteirão inteiro, é conhecido pelo seu magnífico exterior de pedra calcária de acabamento rude, moldada e arredondada, assemelhando-se a várias grutas. Este prédio foi encomendado por Pere Milà, em 1906, que pretendia uma casa que deixasse Barcelona rendido e que ofuscasse as casas da Mansana de la Discòrdia. Para tal, foi dado a Gaudì um orçamento ilimitado, que o levou a produzir esta enorme escultura abstracta, onde triunfam as linhas curvas a as formas orgânicas.
Contudo, o projecto não teve o efeito desejado, chegando a ser mesmo alvo de chacota. Era um projecto muito à frente para o seu tempo e só com o passar das décadas é que se passou a ver a magnitude da arquitectura de Gaudì. Prova disso é o facto de a mesma ter sido declarada Património da Humanidade pela UNESCO, dada a sua importância para a história da arte e da arquitectura.

La Pedrera

O Parc Guell é uma das obras mais conhecidas do arquitecto modernista. O curioso é que este belo parque resulta de um enorme fracasso urbanístico. O rico banqueiro Eusebi Guell, fantasiava com um belo condomínio fechado, um oásis no bairro de Gràcia, com uma vista privilegiada sobre a cidade. O projecto previa a construção de dezenas de residências unifamiliares, rodeadas por belos jardins, ou seja, pretendia -se criar uma cidade-jardim.
Contudo, o empreendimento nunca foi acabado e apenas se concluíram as fundações, com caminhos que imitavam rios de lava e cavernas de troncos de árvores,  duas casas , uma das quais ocupadas por Gaudí e que hoje é a Casa Museu Gaudí e as áreas comuns, como a bonita escadaria e a sua emblemática salamandra, a sala hipostila, que seria o mercado do condomínio e que sustenta a praça central, emoldurada pelo banco serpenteado com a técnica do trecandís e ainda dois pavilhões na entrada, que são inspirados no conto "Hansel e Gretel" e foram construídos para servir de portaria e administração. Já no ponto mais alto do parque, onde estava projectada uma capela, encontra-se o Turó de les Tres Creus (Calvário das três Cruzes).
Apesar do fracasso, o que ficou foi um parque deslumbrante e único, aberto ao público desde 1922 e que em 1984, foi declarado Património Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Parque Guell

Mas a verdadeira obra-prima do arquitecto, localiza-se na Carrer de Mallorca, e é a Sagrada Família. Este assumiu o projecto quando tinha apenas 31 anos e esteve à sua frente durante 43 anos. Neste tempo ele dedicou-se de corpo e alma a um trabalho que pretendia que fosse um monumento a Deus e um ponto de referência em Barcelona. À medida que os anos passavam também as ideias de Gaudí se iam modificando, muito em parte devido às constantes interrupções por falta de verbas e que levavam a que o arquitecto fosse procurando novas soluções estruturais, muitas delas a partir da experimentação em outros projectos. Quando morreu, em 1926, apenas estavam concluídas a cripta, parte da abside, a Fachada da Natividade e uma torre. Depois da sua morte foi necessário pedir aos arquitectos que se seguiram que imaginassem como este haveria de querer a obra. 
Não perca o nosso artigo dedicado a Descobrir a Sagrada Família.

Sagrada Família

Apesar de não ter visto o seu trabalho ser reconhecido em vida, Antoní Gaudí tornou-se num dos arquitectos mais famosos do mundo e com um legado dos mais espectaculares do universo, algo que se pode ver refletido pelas número de obras que foram declaradas Património Mundial pela UNESCO, ou seja, entre 1984 e 2005 sete obras de Gaudí foram agraciadas com esse título.

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Descobrir a Sagrada Família
Descobrir a Catedral de Barcelona




domingo, 12 de fevereiro de 2017

Descobrir a Catedral de Barcelona

Descobrir a Catedral de Barcelona


A Catedral de Barcelona, também conhecida como La Seu, é uma bonita catedral de estilo gótico, construída entre o séc. XIII e o séc. XV, sobre uma antiga catedral românica e onde anteriormente já tinha estado uma igreja visigoda e uma basílica paleocristã. Já a sua bela fachada de estilo neogótico só foi construída no séc. XIX. Este bonito monumento é dedicado à Santa Cruz ( cruz em que Jesus foi crucificado) e a Santa Eulália ( donzela martirizada pelos romanos e mais tarde santa padroeira da cidade), actualmente, é a sede do arcebispado da capital catalã.

La Seu

O seu aparecimento resultou não de uma construção de raiz mas antes de uma reforma da catedral românica pré-existente, sob as ordens de Jaume II, e vários foram os mestres de obra que estiveram envolvidos na sua construção, nomeadamente Bertran Riquer, Bernat Rocha, Arnau Bargués, Jaume Solà, Bartolomeu Vau e Andreu Escudero. Do trabalho destes magníficos mestres resultou uma catedral de 90 metros de cumprimento e 40 de largura, composta por 3 naves, inúmeras capelas, claustro, capela de Santa Lúcia (com entrada própria) e 2 campanários.

Catedral

A sua bela fachada, projectada pelo arquitecto Josep Oriol Mestres, é o seu elemento mais moderno e embora se baseie no desenho original, do séc. XV, possui um estilo neogótico. Esta consta de uma portada flanqueada por duas belas torres com pináculos, estando decorada com inúmeras imagens de anjos e santos. É possível ainda ver oito vitrais renascentistas e modernistas, sendo um dos mais famosos Noli me Tangere, de Bartolomé Barmejo.

Porta da Catedral

Um dos elementos que mais se destaca é o seu belo zimbório, desenhado pelo arquitecto August Font e Carreiras, com uma altura de 70 metros e onde é possível ver a imagem de Santa Elena, mãe de Constantino, com uma cruz na mão.

Zimbório

Na parte exterior da Catedral é ainda possível observar duas belas torres campanárias, do final do séc. XIII. Em uma das torres é possível ver as horas e é onde se encontra o sino Eulália, na outra torre, encontram-se dez sinos, todos com nomes femininos e que se encarregam de dar as horas eclesiásticas.

Torre Campanária

O interior da catedral segue a mesma linha das catedrais góticas e divide-se em três naves, todas da mesma altura, que se encontram separadas por um conjunto de magníficos pilares. Já as várias capelas secundárias encontram-se distribuídas pelas naves laterais.

Interior da Catedral

A nave central é extremamente bonita e possui elementos únicos e valiosos, nomeadamente o Altar Mor, o Coro e a Cripta de Santa Eulália. O Altar Mor, com cerca de 3 metros de altura é todo em mármore branco e está sustentado por dois capitéis do extinto templo visigodo que ali existiu. É possível ainda ver a imagem da Exaltação da Cruz, rodeada por seis anjos, do escultor Frederic Marinho e Deulovol.

Altar-Mor

O Coro, também conhecido como Coração, está magnificamente decorado e as suas obras começaram a mando do Bispo Ramon de Escadas, em 1390. Os magníficos muros do coração representam os profetas do Antigo Testamento e foram efectuados por Jordi de Deus e muitos outros bons artistas foram trabalhando para tornar este local tão belo.

Coração

Saindo do coro e prosseguindo em direcção ao altar, encontramos uma escada que nos leva até à Cripta de Santa Eulália, bem por baixo do presbitério. Foi construída, no início do séc. XIV, pelo Jaume Fabré. A cripta abriga um sepulcro do séc. IX e um belo sarcófago gótico, onde foram colocados os restos mortais de Santa Eulália.  

Cripta de Santa Eulália

Na Catedral estão os corpos de alguns governantes reais e pessoas importantes da cidade e da Coroa de Aragão. Bem ao lado da entrada para a sacristia, localizadas na parede, sobre uma pintura executada pelo pintor português Enrique Fernandes é possível ver os túmulos de Ramon Berenguer I, Conde de Barcelona e da sua esposa, Almodis Brand, entre outros.


Túmulos

Nas naves laterais é possível ver várias capelas, que tornam a Catedral ainda mais bonita e única. É possível encontrar 8 capelas do lado do Evangelho, 10 capelas no Deambulatório, 7 do lado da Epístola e ainda 2 capelas à entrada.

Entrando na Catedral e seguindo para à esquerda é possível ver a Capela do Batistério, onde se destaca a pia batismal, de mármore branco de Carrara, esculpida pelo artista florentino Onofre Julià, no séc. XV. Aqui é ainda possível ver o belo vitral Noli me tangere, representando Madalena com Jesus Ressuscitado, de Gil de Fontaner.

Capela do Batistério
Seguindo pelo lado do Evangelho encontramos a Capela de San Severo, que possui um dos retábulos mais bonitos da Catedral. Este belo exemplar barroco, do final do séc. XVII, é uma obra do escultor Francesc Santacruz e Artigas

Capela de São Severo

Segue-se a Capela de San Marc, onde se localiza um retábulo barroco, do séc. XVI, do artista Bernat Vilar, que veio substituir o retábulo primitivo gótico original, transladado para a Basílica de Santa Maria de Manresa. É ainda possível ver em ambos os lados da capela, duas bonitas pinturas a óleo, de Francisco Roig Tramulles, do séc. XVIII.

Capela de São Marco

Logo a seguir surge a Capela de San Bernadí, a última a ser construída e que inicialmente foi dedicada a São Marcos e só em 1431 passou a ser dedicada a São Bernardo.
No seu belo retábulo, do séc. XVIII, é possível ver as imagens de São Bernardo de Sienna, de São Miguel Arcanjo e de Santo António de Pádua.

Capela de São Bernardo

Na Capela da Virgen de Roser, é possível ver uma das mais importantes obras barrocas da Catedral, um retábulo do séc. XVII, de Agustí Pujol, onde se encontram vários relevos escultórios, dedicados à vida de Jesus e Maria. 

Capela Virgem do Rosário

Continuando pelo lado do Evangelho aparece a Capela de Santa Magdalena, San Bartolomé e Santa Isabel, onde está exposto um retábulo gótico, do séc. XV, do pintor Guerau Janeiro. Nele é possível ver representado bem no centro São Bartolomeu e Santa Isabel, ladeados pelo Martírio de São Bartolomeu, Santa Isabel curando os enfermos, São Bartolomeu a pregar e os Milagres póstumo de São Bartolomeu, já na parte superior está representado o Calvário e Exorcismo da filha do Rei Polemis e a Intercepção milagrosa da Santa Isabel. Por fim, na parte de baixo é possível ver a Anunciação, o Nascimento do Senhor, a Virgem e a Criança rodeados por Santos e Anjos, a Epifânia e a apresentação de Jesus no Templo.

Capela de Santa Madalena, São Bartolomeu e Santa Isabel

Segue-se a Capela de San Sebastián e Santa Tecla, onde é possível ver um retábulo gótico tardio, do final do séc. XV, da autoria de Rafael Vergós e Pere Alemão. Este é composto por várias pinturas onde são descritas cenas como: Jesus entre os Doutores do Templo, São Sebastião com o Canon Joan Andreu Sorts, Santa Tecla na fogueira, entre outros. 

Capela de São Sebastião e Santa Tecla

Por fim encontramos a Capela de Nossa Senhora da Alegria e a Capela de Nossa Senhora de Montserrat. Na primeira é possível ver um retábulo de estilo neogótico do escultor Josep Maria Camps i Arnau, do séc. XX. Já na segunda está exposto um retábulo moderno com a imagem da Padroeira da Catalunha.

Capela de Nossa Senhora da Alegria e Capela de Nossa Senhora de Montserrat

Seguindo depois para as capelas do deambulatório, no sentido dos ponteiros do relógio, é possível ver a Capela dos Sants Inocentes. No seu altar está guardado uma arqueta de prata, do séc. XVI, com as relíquias que o Doge de Veneza deu a João, o Grande e o retábulo é dedicado à Glorificação da Virgem. Na parede do lado direito está um arcosoli que contém um sarcófago, com os restos mortais do bispo Ramon de Escadas, uma obra gótica do escultor Antoni Canet.

Capela dos Santos Inocentes

Na Capela Sagrado Coração de Jesus está uma bonita imagem moderna, do escultor Vicenç Vilarrubias, esculpida no ano de 1940.

Capela do Sagrado Coração de Jesus

Segue-se a Capela de Nossa Senhora da Graça, com um belo altar barroco do escultor Joan Roig, do séc. XVII e cuja escultura principal representa A adoração do Rei Jaime I à Nossa Senhora da Graça. São ainda visiveis 4 telas do séc. XVII, do pintor Pasqual Bailon Savali: O primate de Pere, O papa San Silvestre dando o batismo a Constantino, A visão de Santo Pere Nolasc e A predicação de Santo Ramon à Catedral de Barcelona ante Jaime I. 

Capela Nossa Senhora da Graça

A Capela de Santa Clara e Santa Catarina possui um belo retábulo realizado por Miquel Nadal e Pere Garcia de Benavarri e é composto por 19 pinturas que representam : O Calvário, Santa Clara e Santa Catarina, A profissão de fé de Santa Catarina, A Morte de Santa Clara, entre outras. Nas paredes laterais estão algumas pinturas de Francesc Tramulles Roig, que representam a vida de Santo Esteve.

Capela de Santa Clara e Santa Catarina      

Continuando pelo deambulatório segue-se a Capela do Apóstolo São Pedro, cujo retábulo é dedicado a Santo Martí de Tours e a Santo Ambròs, um magnífico trabalho de estilo franco-flamenco de Joan Matas, no séc. XV. Nas paredes laterais estão representadas várias cenas da vida de São Pedro na sua relação com Jesus.

Capela do Apóstolo São Pedro

A Capela seguinte é dedicada a San Gabriel e a Santa Elena e nele está um retábulo dedicado a São Gabriel, que terá sido construído no final do séc. XIV, por um autor desconhecido e que contém  18 pinturas de Lluís Borrasà, nomeadamente A Aparição do Anjo sobre o Rio Hidekel, Anuncio do nascimento de São João Batista a Zacarias, entre outros.

Capela de São Gabriel e Santa Elena

Segue-se a Capela de San José e San Juan Bautista onde se encontra um retábulo renascentista dedicado a São João Batista, do séc. XVI, de autor desconhecido. Existe ainda um imagem do séc. XVIII de São José.

Capela de São José e São João Batista

A Capela da Transfiguració ou de Santo Benet possui do lado esquerdo um arcosoli com o mausoleu do bispo Ponç de Gualba. Já o retábulo da Tranfiguração é uma obra de Barnat Martorell, sendo umas das obras mais importantes da Catedral e da pintura gótica catalã, foi mandada fazer pelo bispo Simó Salvador.

Capela da Transfiguração

A Capela da Visitació é a Capela da Ordem de Constantino de St. George e onde se pode encontrar, à esquerda, o mausoléu do bispo Berenguer de Palou e à direita o túmulo moderno do Bispo Pedro Martinez San Martin. O seu belo retábulo foi mandado fazer pelo canone Nadal Garcés, no séc. XV e é composto por um tríptico onde está representada a cena da Visitação e os retratos de San Lucas Evangelistas e o Mártir São Sebastião.

Capela da Visitação

Capela de Santo Antoni Abate é a última do deambulatório e possui um magnífico retábulo barroco, do séc. XVIII, cujo trabalho escultórico é de um artista anónimo e que representa o Santo Domingo Guzmán, o Santo António Abate, a Virgem del Carmen, o São Benedito, o São Francisco de Assis, entre outros.

Capela de Santo António Abate

Saindo do deambulatório seguimos em direcção à porta de entrada da Catedral pelo lado da Epístola e continuamos a encontrar algumas capelas. Logo a seguir ao deambulatório a primeira a surgir é a Capela de Santo Pacià e Santo Francesc Xavier onde se encontra um magnífico retábulo barroco de Santo Pacià, do séc. XVII, realizado por Joan Roig. Neste fantástico trabalho é possível ver que o artista incorporou a imagem de Santo Inácio entre os apóstolos na cena da Última Ceia. Outra das particularidades deste retábulo é a presença de uma imagem jazente de São Francisco Xavier, de Andreu Sala. 

Capela de Santo Pacià e São Francisco Xavier

Segue-se a Capela Nossa Senhora de Pilar com um retábulo barroco do séc. XVII e um mausoléu do arcebispo Gregorio Modrego Casaus, do escultor Frederic Marinho e Deulovol.

Capela Nossa Senhora do Pilar

A Capela de Santo Pau é adornada por um retábulo de estilo neoclássico do início do séc. XX, de Domènec Talarn, com uma imagem de Santo Pau de Tars bem no centro. No altar é possível ver uma imagem de Santo Gaietà de Thiene.

Capela de São Pau

A Capela de San Ramon de Penyafort é uma das mais peculiares dada a presença de uma escultura jacente do Santo Raimundo de Penyafort com o sarcófago datado do séc. XIV, que veio do antigo Convento de Santa Catarina.

Capela de São Raimundo de Penyafort

A Capela de San Pancràs e San Roc possui um fantástico retábulo barroco, do séc. XVIII, com as imagens do São Roc de Montpeller e São Pancràs de Roma, apesar de ter pouco valor artístico.

Capela de São Pancras e São Roque
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Na Capela de San Josep Oriol é possível apreciar um belo altar de estilo modernista, construído pouco tempo depois da canonização do Santo Josep Oriol, em 1909. Em frente está o mausoléu, do escultor Josep Limón, do Cardeal Salvador Casañas e Labrador, o principal responsável pela canonização de Josep Oriol. 

Capela de São José de Oriol

A última capela do lado da Epístola é a Capela de San Cosme e San Damià foi inicialmente dedicada às Santa Clara e a Santa Catarina. Actualmente possui o sepulcro de Sança Ximenis de Cabrera, dentro de um arcosoli com dois cães esculpidos.

Capela de São Cosme e São Damião

Chegando ao final da epístola bem junto à porta da Catedral está a Capela da Immaculada Conceição. Aqui é possível ver um bonita e recente imagem da Imaculada Conceição, segurando nas mãos as chaves da cidade. Do lado esquerdo, é possível encontrar o mausoléu do bispo de Barcelona, Francesc Climent Sapera.

Capela da Imaculada Conceição

Outro dos belos recantos desta enorme Catedral é o seu claustro, do séc. XIV, um autêntico oásis dentro dos muros deste belo exemplar gótico. No dos seus cantos encontra-se a Capella de Santa Lucia, que possui um acesso pela parte exterior da Catedral, bem à frente da Cada de l'Ardiaca.

La Seu tem um sistema de visitas bem diferente do que é habitual, ou seja, existe um horário em que a entrada é gratuita e um horário em que a entrada é paga, e cujo pagamento é considerado um donativo.

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Descobrir a Sagrada Família





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Descobrir a Sagrada Família

Descobrir a Sagrada Família


O Templo Expiatório da Sagrada Família é um magnífico templo católico, idealizado pelo arquitecto Francisco de Paula del Villar, mas construído pelo fantástico arquitecto catalão Gaudí, que redireccionou o estilo neogótico inicial, para um estilo modernista catalão.

A ideia da construção de uma catedral surge com a expansão e crescimento do bairro Eixample, fazendo com que um grupo religioso, denominado Associació de Devots de Sant Josep, decidisse comprar um terreno para construir uma catedral destinada aos pobres da "nova" cidade.

Barcelona e a Sagrada Família

Gaudí assumiu o projecto quando tinha apenas 31 anos e esteve à sua frente durante 43 anos. Neste tempo ele dedicou-se de corpo e alma a um trabalho que pretendia que fosse um monumento a Deus e um ponto de referência em Barcelona. À medida que os anos passavam também as ideias de Gaudí iam modificando, muito em parte devido às constantes interrupções por falta de verbas e que levavam a que o arquitecto fosse procurando novas soluções estruturais, muitas delas a partir da experimentação em outros projectos. Quando morreu, em 1926, apenas estavam concluídas a cripta, parte da abside, a Fachada da Natividade e uma torre.
Após a morte de Gaudí, foi Domènec Sugrañes, amigo e colaborador de deste, que passou para a direcção da obra e que se manteve até 1938. Depois disso vários outras pessoas foram estando à frente da obra mas tentando sempre respeitar a ideia original de Gaudí.

Esculturas da Fachada da Natividade

Quando a Guerra Civil se instalou, em 1936, grande parte dos seus planos foram destruídos, contudo foi possível salvar uma parte que permitiu que os trabalhos pudessem ser retomados em 1957. Estima-se que os trabalhos fiquem concluídos em 2026, altura do centenário da morte de Gaudí.

A Sagrada Família foi idealizada para ter três fachadas: a Fachada da Natividade (quase concluída durante a vida de Gaudí), a Fachada da Paixão (iniciada em 1952) e a Fachada da Glória (ainda por terminar).

Coroação de Maria da Fachada da Natividade

A Fachada da Natividade foi iniciada em 1892 e foi construída virada para leste, uma vez que Gaudí queria que o nascer do Sol trouxesse nova vida ao milagre do nascimento, todas as manhãs. Esta bela fachada expressa o jubilo de toda a criação pelo nascimento de Jesus e representa os factos relevantes da Sagrada Família de Nazaré.
Nela pudemos ver diversas esculturas de Carles Mani, Llorenç Matamala e Joan Matamala.

Fachada da Natividade

Esta fachada apresenta formas orgânicas muito pouco comuns em outros templos, mas que personificam o trabalho de Gaudí. Nela pudemos ver vários elementos exultantes que evocam a vida, estando dividida em três pórticos magníficos, que estão dedicados às virtudes teologais. Nomeadamente, à Esperança, à Fé e à Caridade, esta última a porta central e terminada pela Árvore da Vida. Estes bonitos pórticos encontram-se divididos por colunas, a de São José, entre o pórtico da Esperança e o da Caridade e a coluna de Maria entre o pórtico da Caridade e o da Fé.
É ainda composta pelas 4 torres-campanário dedicadas a São Matias, São Judas Tadeu, São Simão e São Barnabé.

O pórtico da Caridade é a entrada do meio e a maior, está dedicada a Jesus, sendo possível ver representadas várias cenas do nascimento deste. Nomeadamente, a Anunciação, a Adoração dos Reis, a Adoração dos Pastores e a Coroação de Maria. 


Pórtico da Caridade

O Pórtico da Esperança, à esquerda, é dedicado a São José, nele encontramos as cenas dos Esponsais de Virgem Maria e São José, a Morte dos Inocentes, entre outros. Neste local é possível também ver vários animais domésticos, nomeadamente gansos ou patos, que surgem como alusão à fauna do rio Nilo e a flora do Egipto. O pórtico é coroado com um grande pináculo, que tem a inscrição Salva-nos.

Pórtico da Esperança

O Pórtico da Fé é dedicado à Virgem Maria e tem representadas as cenas da Imaculada Conceição, Visitação, Jesus nos braços de Simeão, entre outros.

A Fachada da Natividade e a cripta, ambas obra de Gaudí foram incluídas, em 2005, pela UNESCO, no Sítio do Património Mundial com o título "Obras de Antoni Gaudí".

A Fachada da Paixão foi totalmente realizada após a morte de Gaudí, sob a direcção de Josep Maria Subirachs e representa a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Josep seguiu o seu estilo pessoal mas sempre se inspirando no mestre Gaudí, algo que se pode entender quando se vê os vários guerreiros que a fachada possui e cujas cabeças lembram as chaminés de La Pedrera.
Esta é uma fachada mais austera e simples , sem grandes ornamentações e onde se destaca a nudez da pedra, muito semelhante a um esqueleto reduzido às linhas dos seus ossos.

Fachada da Paixão

A Fachada da Paixão é sustentada por seis colunas inclinadas, sobre as quais se encontram um frontão constituído por 18 colunas em forma de osso.
É igualmente constituída por três pórticos dedicados à Fé, Esperança e Caridade e as suas torres são dedicadas aos apóstolos Santiago Menor, São Tomé, São Filipe e São Bartolomeu.
As imagens dos últimos dias da vida de Jesus estão divididos em três níveis. No nível inferior é possível ver as cenas da última noite de Jesus antes da crucificação, nomeadamente, a Última Ceia, o Beijo de Judas, A Negação de Pedro e o Julgamento de Jesus.

Os três níveis da Fachada da Paixão

No nível do meio está representado o calvário de Jesus, nomeadamente, O soldado Longino, A Verônica e As Três Marias e Simão de Cirene.
No nível superior está representado a morte e enterro de Jesus, sendo a Crucificação, a principal cena principal do pórtico.

A Crucificação

O beijo de Judas

A Fachada da Glória ainda está a ser concluída, estimando-se que fique pronta em 2026. Quando estiver finalizada será a fachada principal deste belo templo, sendo a maior e mais monumental de todas. É dedicada à gloria celestial de Jesus, representando o caminho ascensional a Deus. Para aceder ao pórtico haverá uma enorme escadaria, com um terraço onde estará uma fonte de água com quatro cascatas.

Gaudí imaginou um templo de grandes dimensões, que pudesse ver visto de toda a cidade e se destacasse de todos os outros, para tal projectou um edifício com 18 torres, uma para cada apóstolos, 4 para os evangelistas e as torres dos zimbórios de Jesus e da Virgem Maria. As torres que representam os apóstolos terminam em pináculos de mosaicos venezianos, possuem uma cruz e esferas brancas e  ainda uma escultura do apostolo que representa. Estas doze torres irão servir de campanário e irão conter 60 sinos.

Torres da Fachada da Natividade

As torres dos evangelistas irão ser reconhecidas pelas figuras alegóricas que os representam na iconografia cristã, São João, a águia, São Marcos, o leão, São Mateus, o anjo e São Lucas, o touro. Já a torre de Maria ficará sobre a abside e terminará com uma grande estrela de 12 pontas, que simbolizam a estrela da manhã.. E por fim, a torre de Jesus, que terminará em uma grande cruz de braços, com 15 metros de altura e na parte central estará um cordeiro.

Torres da Fachada da Paixão

Assim que entramos no interior deste monumental templo ficamos completamente hipnotizados com a luz que irradia pelos maravilhosos e coloridos vitrais. O vitral principal representa a ressurreição, enquanto que os laterais simbolizam santos, obras de Joan Vila i Grau.



Bem no centro do templo ficamos com a sensação de estarmos em harmonia com a natureza, uma vez que Gaudí planeou a construção da Sagrada Família como se esta fosse uma floresta, com um conjunto de colunas arborescentes divididas em vários ramos para sustentar as abóbodas e entre os quais os raios de sol penetram como numa floresta. 


Pormenor do tecto da Sagrada Família
As colunas que se encontram no interior do templo são um projecto magnífico e único idealizado por Gaudí, que conferem um identidade muito própria ao interior da Sagrada Família.

Colunas
Mas ainda muito terá que ser feito até o interior ficar totalmente perfeito e de acordo com a vontade de Gaudí. Apesar de incompleto vários são os pormenores magníficos que tornam este templo inacabado num local único no mundo e com um carácter muito próprio. 


Baldaquino

Outro dos locais magníficos e que não tive o prazer de visitar é a Cripta, uma das zonas mais desconhecidas da Sagrada Família mas que foi declarada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. 
A Cripta já estava construída quando Antoni Gaudí começou a trabalhar na Sagrada Família, o que levou a que este apenas fizesse algumas alterações para potencializar a beleza da mesma. Para tal, ele transformou os pilares e elevou a abóbada da cripta.

Junto à Sagrada Família, Gaudí construiu vários outros edifícios anexos, nomeadamente a casa do capelão, o escritório de Gaudí, uma oficina de maquetes, um laboratório de fotografia, uma sala de actose ainda as Escolas da Sagrada Família ( escola destinada a filhos dos operários que trabalhavam no local). 


Sala das Escolas da Sagrada Família
Outra das zonas possíveis de visitar é o Museu, localizado onde anteriormente se encontravam as oficinas. Foi inaugurado em 1961 e lá é possível ver os planos e desenhos originais de Gaudí, bem como diversas maquetes do templo e objectos relacionados com o projecto. 


Museu

Muito mais há a dizer sobre este local místico e maravilhoso, que me faria estar aqui eternamente a descrever todos os pormenores que tornam este templo católico numa obra de arte sem precedentes. Uma das curiosidades que marca este local é o facto de só a 7 de Novembro de 2010 é que foi consagrado como Basílica Menor, pelo Papa Bento XVI.

Vocês já visitaram a Sagrada Família? Quais as vossas impressões?

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